4.4. Protocol reproducibility assessment

4.6.1. Species variation

Desde os anos 1990, quando surgem os primeiros delineamentos do ideário por cidades saudáveis, implementaram-se muitas iniciativas. Seus aportes iniciais têm sido revistos e reinterpretados com base em várias experiências desenvolvidas em cidades e comunidades. A recuperação empreendida neste capítulo procurou retratar algumas dessas tendências em torno do movimento por cidades saudáveis. Mais relevante ele se tornará quanto maior a capacidade de diálogo e interlocução entre atores, pesquisadores, gestores e governos.

A aposta é de que, para além dos esforços empreendidos sobre avaliação de resultados, ainda há espaços para revisões e incorporações nas formulações acerca da produção da saúde nas cidades.

A dinâmica das cidades parece apontar para a necessidade imperiosa de se traçar novos caminhos éticos para a sociedade. Nesse sentido, a agenda por cidades saudáveis ganha potencialidade ao resgatar valores fundamentais, como democracia, solidariedade, equidade, ética e justiça. Várias das noções incorporadas nesse movimento caracterizam-se por serem polissêmicas e, portanto, ultrapassam os limites de um campo único de conhecimento. Elas também ensejam diversas outras subcategorias de análise, as quais podem contribuir para ampliar a forma de se interpretar e de se propor soluções.

Assim como a relevância da agenda por cidades saudáveis se fortalece com a abertura de diálogo multidisciplinar e multisetorial, ela reivindica, ainda, que cada vez mais se amplie como movimento, e que este, como um software, se abra a contribuições que possam ser incorporadas continuamente a seu construto, desenvolvendo novas versões que futuramente poderiam ser adaptadas a distintos contextos e a novos problemas.

Meresman e colaboradores (2010: 753) relatam um exercício desenvolvido pela Opas com tal objetivo – o de captar contribuições múltiplas para reposicionar a agenda nas Américas – e recomendam o seguinte:

• Faz-se necessário reforçar a identidade de cidades saudáveis abrindo-se caminho para uma segunda geração de conceitos e ferramentas, para a renovação do seu marco lógico e para a atualização de metodologias e abordagens.

• É preciso que a ampliação de cidades saudáveis na política nacional seja vista não como um fim em si mesmo, mas como uma estratégia para se construir caminhos que possam fortalecer a governança urbana.

• É essencial priorizar mais o foco no planejamento urbano, transporte, assentamentos humanos, habitação, saúde mental, prevenção da violência e em outros fatores que nos estilos de vida individuais.

• É imprescindível o desenvolvimento de redes sociais que acompanhem a difu- são dos processos participativos por uma cooperação horizontal e que valorize a singularidade e diversidade de atores e processos.

• É primordial que haja maior integração das ações de saúde com a produção local e a geração de renda, programas habitacionais e iniciativas de inclusão social.

• É de fundamental importância que se fortaleçam e melhorem os processos de implementação de cidades saudáveis, levando-se em conta: a institucionalização da estratégia; a busca da estabilidade de equipes técnicas; a definição de um quadro jurídico-institucional mais preciso no estabelecimento de conselhos de gestão interinstitucional, intersetorial e interdisciplinar; os mecanis- mos de consulta interinstitucional, com ferramentas mais flexíveis; o per- manente estímulo aos desenvolvedores do trabalho colaborativo; o desen- volvimento de coordenação e gestão de competências; e a viabilização de fontes de financiamento integrados.

• É vital a adoção de novas vias de colaboração on-line, a fim de dinamizar novas formas de participação social (desenvolvimento de redes virtuais e ferramentas de governo eletrônico) e de usá-las para melhorar processos de governança por meio de capacitação, empregando-se ferramentas eficazes para a tomada de decisão por parte dos cidadãos.

• Faz-se necessário fortalecer alianças com setores mais dinâmicos: cultural, de juventude, empresarial, acadêmico e de organizações produtivas.

• Torna-se necessária a disponibilidade de uma formação permanente e de uma atualização dirigida aos profissionais envolvidos em cidades saudáveis, com ênfase em novos tópicos (determinantes sociais da saúde, desenvolvimento local, redes cooperativas, avaliação etc.), fornecendo ferramentas específicas que correspondam ao nível de responsabilidade e competência de cada nível de gestão.

• É preciso estimular o espírito investigativo, para se estabelecer uma agenda permanente de pesquisa e para mobilizar as capacidades técnicas existentes.

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E

ste não é um texto sobre favela, é sobre cidade. Não porque pretenda sustentar uma posição valorativa de que a favela pertence à cidade, o que, além de óbvio, esconderia justamente o que precisa ser discutido. Tampouco porque intencione negar a especificidade da favela, que também precisa ser discutida. Apesar de ter como foco a favela, este texto versa sobre a cidade exatamente porque pretende contribuir para a urgente tarefa de elaborar uma perspectiva capaz de redefinir a relação entre a favela e os demais espaços populares da cidade.

Sua premissa fundamental é a de que o fim do ciclo da modernização con- servadora, formalmente encerrado com a Constituição de 1988, e sociologicamente superado à medida que o direito constitucional realiza seu processo de decantação, desloca o lugar que a favela historicamente ocupou na vida das metrópoles brasileiras, abrindo espaço para uma nova visada que permita pensar a favela como uma forma urbana que não necessariamente precisará desaparecer para que se assegure sua completa inscrição na vida da cidade. Supera-se assim, também, o velho debate remoção versus urbanização, que até hoje ainda estrutura e esteriliza os embates ideológicos sobre a questão da favela.

A noção de modernização conservadora foi amplamente consagrada pela socio- logia política produzida entre os anos compreendidos entre 1970 e 1980, para dar conta da natureza do processo de industrialização/urbanização que ocorreu

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Favela, Conjuntos Habitacionais, Bairros

In document Rare earth elements (REEs) in shallow and deep water articulated brachiopods: sensitive tracers of paleo-oceanography (Page 169-175)

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