The development of games literacy with student designed games intervention

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(1)

Citation:

Andre, MH and Hastie, P and Araújo, RF (2015) The development of games literacy with

student-designed games intervention. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37 (4). pp. 323-332. ISSN

0101-3289 DOI: https://doi.org/10.1016/j.rbce.2015.08.001

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http://eprints.leedsbeckett.ac.uk/3592/

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(2)

RevBrasCiêncEsporte.2015;37(4):323---332

www.rbceonline.org.br

Revista

Brasileira

de

CIÊNCIAS

DO

ESPORTE

ARTIGO

ORIGINAL

O

desenvolvimento

da

compreensão

holística

do

jogo

por

meio

da

criac

¸ão

do

jogo

Mauro

Henrique

André

a,∗

,

Peter

Hastie

b

e

Rui

Flores

Araújo

c

aSchoolofKinesiologyandRecreation,IllinoisStateUniversity,Normal,EstadosUnidos bSchoolofKinesiology,AuburnUniversity,Auburn,EstadosUnidos

cProgramaDoutoralemCiênciasdoDesporto,FaculdadedeDesporto,UniversidadedoPorto,Porto,Portugal

Recebidoem11deoutubrode2012;aceitoem5defevereirode2014 DisponívelnaInternetem28deagostode2015

PALAVRAS-CHAVE

Compreensão esportiva; Criac¸ãodejogos; Educac¸ãofísica escolar;

Ensinofundamental

Resumo Oestudoexaminouacompreensãoholísticadojogo(compreensãoderegras, valo-res,distinc¸ãoentreboasemás práticas)aprendida poralunosdoensino fundamental após umaintervenc¸ãodecriac¸ãodejogosdealvo.Aintervenc¸ãofoidivididaemcincomomentos: introduc¸ãoaosjogosdealvo,ensinar jogosaoutrosalunos,criar novosjogos, ensinarseus própriosjogosepraticá-los.Acoletadedadosincluiuobservac¸ões,questionárioseentrevistas, queforamanalisadospormeiodeumatriangulac¸ão.Concluiu-sequeosalunosforamcapazes devalorizarasregrasdosjogoscriados,mastiveramdificuldadenaapresentac¸ãodosjogos, umatarefanormalmenteatribuídaaoprofessor.

©2015ColégioBrasileirodeCiênciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todosos direitosreservados.

KEYWORDS

Gamesliteracy; Student-designed games;

Physicaleducation; Elementaryschool

Thedevelopmentofgamesliteracywithstudent-designedgamesintervention

Abstract The study examined thegames literacy (understanding rules, gamesvalues, dis-tinction between good and bad practices) learned by elementary school students after a student-designedgamesinterventionwithtargetgames.Theinterventionwasdividedintofour stages:targetgamesintroduction,teachinggamestootherstudents,creatingnewgames, tea-chingtheirowngames.Datacollectionincludedobservations,questionnairesandinterviews, whichwereanalyzedbyatriangulation.Itwasconcludedthatstudentswereabletoappreciate

Autorparacorrespondência.

E-mail:mauro.ha@gmail.com(M.H.André).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2015.08.001

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therules ofthe gamescreated,buthad difficultyinpresentingthe game,a tasknormally assignedtotheteacher.

©2015ColégioBrasileirodeCiênciasdoEsporte.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Allrights reserved.

PALABRASCLAVE

Comprensión deportiva;

Creacióndejuegos; Educaciónfísica; Escuelaprimaria

Eldesarrollodelacomprensiónholísticamediantelacreacióndejuego

Resumen Elestudioexaminóelniveldecomprensiónholística(entenderlasreglas, figuras deldeporte,ladistinciónentrebuenasymalasprácticasdeportivas)aprendidasporalumnosde primariadespuésdeunaintervenciónparacrearjuegosdedianamóvil.Laintervenciónsedivide encuatroetapas:introducciónalosjuegosdediana,ense˜nanzadejuegosaotrosestudiantes, crearnuevosjuegos,ense˜narsuspropiosjuegos.Larecoleccióndedatosincluyóobservaciones, cuestionariosyentrevistas,quefueronanalizadosmedianteunatriangulación.Seconcluyóque losestudiantespudieronaprenderlasreglasdelosjuegoscreados,perotuvierondificultades enlapresentacióndeljuego,unatareanormalmenteasignadaalamaestra.

©2015ColégioBrasileirodeCiênciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todoslos derechosreservados.

Introduc

¸ão

Abuscapelos jogos1 apresentacausasemotivac¸ões

diver-sas,de modo que osvalores atribuídos a eles podemser bastanteheterogêneoseatémesmomodificados,conforme o ambienteem que sãopraticados. André e Rubio (2009)

demonstram como jogos aprendidos ou criados em ambi-entes diferentes levam a uma prática diferenciada, de modoqueo jogoaprendido na escolapossaadquirir valo-resdiferenciadosdaquelesaprendidosnaruaouemoutros ambientes. Fora daescola, a crianc¸a perde sua condic¸ão dealunoe passaa teropoderde criarerecriarumjogo de maneira despreocupada,sem qualquer objetivo que a delimite.

Nãoobstante,aatualorganizac¸ãodascidadeseafalta deseguranc¸acontribuíramparaqueascrianc¸asperdessem espac¸o em locais públicos e limitarama prática de jogos emambientessupervisionadosporadultos,demodoqueas crianc¸as vêm perdendo a possibilidade de criar seus pró-priosjogossemqualquersupervisão.Considerandoacriac¸ão dejogoscomoumaintervenc¸ãoqueproporcionaumaprática reflexivaaoaluno,emqueeleéobrigadonãosóapraticaro jogo,mastambémcriá-loemodificá-loinúmerasvezesaté suaversãofinal;opresenteestudobuscouanalisardeque

1A definic¸ão de jogo usada no estudo combina duas

referên-ciasquediscutemoconceitodejogo.Ellis(1983)apresentatrês característicasquetodojogotem:I)regras(conjuntodenormas preestabelecidosquedelimitemoambiente);II)estratégias (con-junto de planos e táticas criadas pelos jogadores na busca de sucesso);III) habilidades(desenvolvimentode técnicaspara exe-cutarpráticasexigidas).OconceitodeFreire(2005)éapresentado demaneiracomplementar.Segundooautor,paraquehajaumjogo énecessárioquesejaestabelecidoumcontexto,ouseja,épreciso queosjogadoresaceitemesseambientequedestoadarealidade foradojogo.

maneiraacriac¸ãodejogoscontribuiparaodesenvolvimento deumacompreensãomaisholísticadosjogos.

Bases

teóricas

A ideiade se usar a educac¸ão física como ambiente pro-pício para a criac¸ão de jogos foi proposta pela primeira vez na Inglaterra, no fim da década de 1960. Mauldon e Redfern(1969)apresentaramosprincípios paracriac¸ãode jogosaodescreverpossíveisbenefícioseducacionaisquese relacionavamcomastrêsdimensõesdodesenvolvimentoda crianc¸a:cognitivo,psicomotore social/moral;alémdisso, osautorestambémestabeleceramarelac¸ãoentreacriac¸ão dejogoseosestágiosdedesenvolvimentodacrianc¸a, seme-lhantemente ao que foi apresentado anteriormente por

Piaget[1971]),ecriaramaprimeiraclassificac¸ãodejogos, queapresentaenormeutilidadeparacriac¸ãodejogos.

Cinco décadas depois, a criac¸ão de jogos já foi apre-sentada comdiferentes propósitosna práticapedagógica, comvistasaodesenvolvimentomotor(Rovegno;Bandhauer, 1994);social(Curtner-Smith,1996);dopensamentocrítico (Cleland;Pearse,1995;Rovengnoetal.,1995);doconceito dedemocracia(Butler,2006)edoconceitodecompreensão esportiva(Almond,1983).

Dentrode cadaumadaspropostascitadas,há algumas particularidadesquepodemmodificaroconceitodacriac¸ão dejogos.Dessamaneira, definiro termoé essencial para evitar qualquer interpretac¸ão errônea. Assim, o presente estudosegueadefinic¸ãoapresentadaporHastie(2010,p.3): ‘‘Pordefinic¸ão,acriac¸ãodejogosnaeducac¸ãofísicaéo pro-cessoemquealunoscriam,organizam,implantam,praticam eaperfeic¸oamseusprópriosjogoscomlimitesestabelecidos peloprofessor’’.

(4)

Odesenvolvimentodacompreensãoholísticadojogopormeiodacriac¸ãodojogo 325

reproduzido é aquele tradicionalmente estabelecido em umacultura,dofutebolao pega-pega,osjogadoresdesse jogo não costumam modificar as regras que foram cons-truídas e repassadas de gerac¸ão a gerac¸ão.2 No jogo

transformado há modificac¸ão das regras dojogo reprodu-zido,ouseja,ocorreumaadaptac¸ão dojogoparamelhor serviraseuspraticantes.Ojogocriadoéainvenc¸ãodeum novojogo,queproporcionanovosdesafioserepresentaos interessesdospraticantes.Acriac¸ãodejogospermeiaentre ojogotransformadoecriado,umavezqueosalunospodem fazersuasprópriasescolhasnessasduascategoriasdejogos. Nopresenteestudo,apenasosjogoscriadosfazemparteda intervenc¸ão.

Notamosque,emboraaeducac¸ãofísicatenhacolocado a prática de jogos como principal conteúdo há décadas (Guedes e Guedes, 1997; Betti, 1999; Darido e Rangel, 2005), a busca pela formac¸ão de alunos que tenham um conceito mais abrangente de jogo é relativamente recente.Nessesentido,procuramosusaracriac¸ãodejogos como forma de proporcionar o desenvolvimento da com-preensão holística do jogo (termo conhecido em inglês como games literacy). Quatro elementos, propostos por diferentesautores,complementam-se na conceituac¸ão da chamadacompreensãoholísticadojogo.Sãoeles:cognitivo, psicomotricidade, motivac¸ão e valores. Assim, busca-se umacompreensãodojogoemsuatotalidade,enãosomente suaprática(aqualserialimitadaàdimensãoda psicomotri-cidade).

Adimensãocognitivarefere-seaoconhecimentoeà com-preensão de jogos de uma mesma categoria, ou seja, os alunos que se desenvolverem nessa dimensão devem ser capazesdeentenderarelac¸ãoentreregrasetáticasdejogo e transferiresseconhecimentoquandosedepararem com jogossemelhantes.Nessacategoriaincluem-seosjogosde perseguic¸ão,comoo pega-pega,osjogosdealvo,como a queimada,osjogosdecampo,comootaco/betis,osjogos de rede/parede, como o voleibol,e os jogosde invasão, comoofutebol(Bunkeretal.,1986).

A dimensão psicomotora refere-se ao desenvolvimento das habilidades motoras e táticas apropriadas em tomar decisõesemsituac¸õesdejogo,sejamessasconhecidasou desconhecidas.Nessesentido,aaprendizagemdeuma habi-lidademotoranãodeveselimitaràreproduc¸ãodemaneira isolada,mastambémnomomentodojogoemquedeveser executadaebem-sucedidadentrodocontextoestabelecido (Kirk,1983;MandigoeHolt,2004;Siedentopetal.,2011).

A motivac¸ão refere-se à vontade depraticar jogos,ou seja,o estímuloparaumamotivac¸ãointrínseca,emqueo alunoqueirajogarporprazer,enãopormedodequalquer punic¸ão ourecompensa (Mandigo e Holt, 2004; Siedentop etal.,2011).

Osvaloresagregadosaosjogosreferem-seaorespeitoàs regras,aosrituais,àstradic¸õeseao significadoculturale

2Éimportantefrisarqueseapresentaopega-pegaeo futebol

dentrodamesmadefinic¸ãodejogo,umavezqueambostêmos mes-mostrêselementosapresentadosporEllis(1983),ouseja,regras, estratégiasehabilidades,eFreire(2005),queapontaocontextode jogo.Assim,dentrodopresenteestudo,nãoháumadistinc¸ãoentre jogo,jogoesportivoeesporte,umavezquetodosapresentamas característicasdeumconceitoabrangentereferidocomojogo.

permitemdistinguirpráticasboaseruins(Siedentopetal., 2011).Assim,osalunosdevemaprenderquecadajogo car-regaumasériedetradic¸ões,porexemplo,umatorcidade futeboleumatorcidadetênisnãosecomportamdomesmo modo.Alémdisso,devemvalorizarpráticasquevisamaum jogolimpoecompreenderqueosadversáriosnãodevemser tratadoscomoinimigos,umavezqueapráticadojogosóé possívelcomsuapresenc¸a.

Nessesentido,odesenvolvimentodacompreensão espor-tiva por meio da criac¸ão de jogos seguiu a teoria do

constructionism(termoeminglês).SegundoKafaieResnick (1996) constructionism é uma metodologia de ensino--aprendizagem que possibilita ao aluno projetar e pensar sobreaquiloqueestáaprendendoecriaralgonovo,demodo queo processodedesenvolvimentodonovo conteúdo lhe permiteaprendermaissobreoassuntoque sebuscacriar. Ouseja,seguindoateoriadoconstructionism,oalunopode aprendermaissobreumjogoaotentarcriarumnovo,poiso processodedesenvolvimentodojogoolevaarefletirsobre oselementos necessários, como, por exemplo, asregras, essenciaisparaacriac¸ãodeumnovojogo.

Metodologia

e

procedimentos

Apropostadesteestudobuscavaanalisardequemaneiraa criac¸ãodejogoscontribuiparaodesenvolvimentoda com-preensãoholísticadojogo.Apesquisafoiaplicadaemuma escola de ensino fundamental, na região sul dos Estados Unidos. A escola escolhida tinha 470 alunos matriculados entre a primeira e quinta série e todos frequentavam a escolano mesmo período (entre 8h30 e 15h30). Aescola ficava em uma região de classe média. Apenas 16% dos alunos recebiam almoc¸o com prec¸o reduzido ou gratuito (o que é considerado uma porcentagem baixa). Para as aulasde educac¸ão física, a escola dispunha de uma qua-dramultiusointernae umcampomultiusocomaáreade umcampodefutebol.Duasturmasde5◦ anoparticiparam juntasdaintervenc¸ãoetotalizaram45alunos(20meninos, 25 meninas). Osalunos tinham aulas diárias deeducac¸ão físicacomdurac¸ãode30minutos.Apesardeosalunosnão teremtidoexperiênciapréviacomcriac¸ãodejogos,estavam habituadosaserensinadoscomdiferentestiposde metodo-logia,como o Sport Education (Siedentop et al., 2011) e oTeachingGamesforUnderstanding(Bunkeretal.,1986). Aintervenc¸ãofoidivididanasseguintesetapas:introduc¸ão aosjogosdealvo,apresentac¸ãodecomocriarjogos,criac¸ão dos jogos, apresentac¸ão e prática dos jogos. Ao todo, a intervenc¸ãofoidesenvolvidaem16aulasemquatro sema-nas,comquatroaulassemanais.

Introduc

¸ão

aos

jogos

de

alvo

(5)

Primeiramente, um professorde educac¸ão física e um auxiliar,etrêspesquisadoresqueatuaramnaprática peda-gógica e na coletade dados, verificaramo conhecimento prévioqueosalunostinhamsobreosjogosdealvo.Os pes-quisadoreseprofessoresfizeramumasériedeperguntasaos alunose deacordo comasrespostas, explicac¸õessobreo conceitodosjogosdealvoforamsendoapresentadas.Esse processodurouumdia.Nofimdessaaula,os45alunosforam divididosemnovegruposdecincoalunoscada.

No segundo momento, os alunos vivenciaram a apren-dizagem de diferentes jogos de alvo. Cada um dos três gruposaprendeuajogarumjogodealvodiferente.Ostrês jogos ensinados dessa categoria foram: golfe de frisbe,3

bocha4 e ladderball5 (jogo típico dos EUA). Cada umdos

jogosapresentavadiferentesformasdepontuac¸ão.Assim, osalunosconheceriamdiferentesformasdeorganizac¸ãodo jogo. Nesse dia, cada um dos três grupos jogou um jogo diferenteapresentadoporumdospesquisadoresou profes-sores.

Por último,os grupos alternaram-se entreaqueles que ensinavamosjogoseaquelesquepraticavam. Cadagrupo deveriaensinarojogoquehaviaaprendidoparaoutros alu-nos que tinham conhecimentode outros jogos.Assim, no fimdetrêsdias,todososalunosaprenderamostrês jogos (golfedefrisbe, bochae ladderball)e tambémtiveramo desafiodeensiná-los.Aopc¸ãodefazercomqueospróprios alunosensinassemojogoparaosoutros,emvezdeo pro-fessorensinaratodos,deveu-seàideiadequeganhariam consciênciadarelevânciadecadaregra,namedidaemque ensinavaumjogoaoutroquenãotinhaconhecimento.

Apresentac

¸ão

de

como

criar

jogos

Asegundaetapafoioprocessodeensinaraosalunoscomo poderiamcriar os próprios jogos.É importante frisar que nemtodasascrianc¸as apresentamumapersonalidade cri-ativa, de modo que o processo de criar jogos deve ser aprendido. Dessa maneira, a cada grupo foi apresentado umpôsterilustrado(fig.1)queapresentavaoitoquestõesa seremrespondidasparaacriac¸ãodojogo:(1)Qualseualvo? (2)Onde está seu alvo (nochão ou suspenso)?(3) Qual a distânciaemqueoalvodevesercolocado?(4)Qualo obje-tivodoseujogo?(5)Qualobjetoseráusadoparaatingirseu

3Golfedefrisbeéumjogoindividualemquecadajogadorbusca

acertaro discodefrisbe dentrodeum bambolêem um número mínimodetentativas.Cadavezqueumjogadorarremessaodisco, eledeveiniciarsua tentativa seguinteno localem que o disco pousou.

4Bochaéumjogoindividualouemduplasemquecadaequipe

buscacolocarsuabocha(bolapesadacom15cmdediâmetro)omais próximopossível dobolim(bolapequena). Cada equipetambém usamsuasbochasparaafastarasbochasadversáriasdobolim.Cada equipetemquatrobochasporrodada.

5Ladderballéumjogopraticadoemduplasemquecadajogador

buscaenvolversuabolas(duasbolasdegolfeconectadasporuma cordade20cm)emum dostrêsdegrausdeumaescadavertical (cadadegrautemumapontuc¸ãodistinta(1paraomaisalto,2para omédioe3paraoinferior).Ojogoécontituídoporduasescadas queficamacincometrosdedistância.Umjogadordecadaequipe ficaatrásdeumadasescadasparaarremessarsuabolanaescada oposta.Cadajogadortemduasbolasporrodada.

alvo?(6)Comovocêirálanc¸arseualvo?(7)Comovocê deter-minaovencedordoseujogo?(8)Existealgumapenalidade? Alémdasoitoperguntas,osalunostinhamumespac¸opara desenharumdiagramadecomoaáreadojogodeveriaser organizada.

Antesdeiniciaracriac¸ãodejogos,osalunosforam per-guntados sobre como preencheriam o pôster e para isso foram considerados alguns jogos conhecidos, como, por exemplo,oboliche,comoformadeverificaracompreensão dousodopôster.Cadagrupotambémteriaaliberdadede apresentar umarespostaque nãoestavasugerida no pôs-ter. Assim, o pôster não tinha a intenc¸ão de delimitar a criac¸ãodosalunos,massimdeorientá-lossobreelementos quedeveriamficarclarosemsuasregras.

Criac

¸ão

dos

jogos

Cadagrupoiniciouoprocessodecriac¸ãodosjogoscomouso dopôster.Alémdasoitoperguntasquedeveriamser respon-didasinicialmente,osalunosforamestimuladosacriarjogos queiriamalémdessasquestões.Ospesquisadorese profes-soresacompanharamoprocessodecriac¸ãoeàmedidaque osjogoseramapresentadosnovosquestionamentos assegu-raramsua‘‘jogabilidade’’,ouseja,seerapossíveljogá-lo comasregrasapresentadas.

Oprocessodecriac¸ãodejogosdesenvolveu-sepormeio detentativaeerro,emqueosalunosavaliavamseojogo criadoestavadeacordocomoquehaviampensado,seele funcionavacomosmateriaisusadoseseeradivertido.Além dacriac¸ãodos jogos,osalunosdeveriamcriarumatabela paraanotarapontuac¸ãoe planejarcomoeles iriam apre-sentareministraroseujogo.

Apresentac

¸ão

e

prática

dos

jogos

Alémdecriarosjogoseastabelasdepontuac¸ão,osalunos tambémadministrariamos própriosjogos.Dessamaneira, asnove equipes foram divididasem três grupos: umadas equipes apresentava o jogo para as outras duas pratica-rem.Nessesentido,osalunosforamorganizadosemgrupos pequenos,o que facilitoua administrac¸ão dosjogos.Esse processo foirepetido portrês diasconsecutivos, demodo queogrupoformadoporcadaumadasequipesemumdia nãoseriarepetidonosoutrosdoisdias.

Coleta

e

análise

de

dados

Apesquisafoifeitapormeiodeumestudodecaso, apre-sentou umaanálise qualitativa de como a experiência de criac¸ãodejogoscontribuiunodesenvolvimentoda compre-ensão holísticado jogo. O estudo de caso é a análise de umsistemaemquesebusca identificareexploraros ele-mentos que fazem parte de sua estrutura (Stake, 2002). Nopresenteestudo,osistemaanalisadosereferiuao con-junto compostopelosalunos, professorese ametodologia dacriac¸ão dejogos.Cadaelementofezpartedeumtodo queinfluenciounaaprendizagemdacompreensãoholística dojogo.

(6)

Odesenvolvimentodacompreensãoholísticadojogopormeiodacriac¸ãodojogo 327 Options Choice Options Choice Options Choice Choice Choice Options Options

?

?

?

?

?

Hoop Pin Box Ball Market area

On the ground

In the air

Standing up

Distance

How do you mark the distance?

Get the highest points by hitting the target with

highest values? Light ball Heavy ball Bean bag Horseshoe Foam javelin Underhand toss Overhand throw Strike

Other form of release ? Push Roll

? Something else ?

Be the first to remove, knock down, or progress through

the targets?

Take the fewest turns to hit all targets (having the lowest scores)

Draw a diagram of your game refering to every question (A-E) Hit the most targets?

Be the closest to the target?

Add the individual scores of each player, and then see

which team has the highest/lowest score?

Have one player from each team go againt each other, and add the total wins for

each team?

? Another option ?

? Another option ? 1. What happen if you break on of the rules? 2. Do you add or subtract

pionts? 3. Do you not allow that

turn?

Penalties

Are there any penalties?

Scoring

T

a

rget

1. How do you determine

who wins?

2. Where is the target?

Goal of the game Object

2. How do you send the

object?

1. What object do you send to

the target?

1. What is the goal of the game?

1. What is the target?

3. How for is the target?

A

D

F

E

B

C

Figura1 Pôsterilustrado

Legenda:Miniaturadopôsterilustrado,otamanhooriginalapresentava1,5mx1m.

incluíram descric¸ões do comportamento das crianc¸as (interesse,envolvimento,empenho),comparac¸õesdecomo cada grupoagiu frentea ummesmo desafioe entrevistas informaisenquantoosalunosparticipavamdasaulas.Todas asobservac¸õeseramgravadasemumgravadordigital por-tátil.

Duranteoprocessodeapresentac¸ãoepráticadosjogos, osquestionáriosforamimplantados.Cadavezqueumjogo novoeraapresentadoaumgrupo,osalunospreenchiamum questionário que avaliava sua experiência quanto ao pro-cessodeaprendizagem,incluindo:(1)avaliac¸ãodecomoo grupohaviaensinadoojogo;(2)avaliac¸ãodacapacidadede ogrupoadministrarseujogo;(3)avaliac¸ãodacapacidadedo grupoderegistrarapontuac¸ãocorretamente;(4)avaliac¸ão dojogo.Ao todo,o questionário(fig. 2)foi compostopor 12afirmac¸õesseguidasdeumaescaladeconcordânciaem quehaviaquatroopc¸ões:1-comcertezanão;2-maisou menos; 3-quase;4-sim, semdúvida,oque permitiaao alunoconcordaroudiscordarcomaafirmac¸ãoconforme a experiênciavivenciadanojogo.

As entrevistas foram feitas no fim da intervenc¸ão, de forma coletiva, ou seja, duas equipes foram entrevista-das porvez. Aentrevista erade naturezasemiaberta, ou seja,osentrevistadoresiniciaramaconversacom pergun-tas estimulantes para que os entrevistados descrevessem sua experiência e não havia uma série de perguntas que deveriamserrespondidasnofimdecadaentrevista.

Durante toda a intervenc¸ão, os pesquisadores tiraram umasériedefotos que foramdepoisusadasnas entrevis-tas.Assim,essasiniciavam-secomaapresentac¸ãodasfotos. Apartir daíos alunosescolhiam o seujogo favorito e em seguidaexplicavamporqueojogomencionadoeramelhor doqueosdemais,oqueestabeleciaumacomparac¸ão.Dessa maneira,osquatroelementosdacompreensãoholísticado jogo(cognic¸ão,aplicac¸ão,motivac¸ão evalores)eram tra-zidosparaadiscussãoeosalunospoderiamdemonstrarse aexperiência comjogosdealvoostornaramaiscríticose cientesdajogabilidadedecadajogo.Alémdisso,antesda entrevista,oscincoprofissionaisenvolvidosnaintervenc¸ão (professoresepesquisadores)fizeramumaclassificac¸ãodos jogosparaverificarseosalunosapresentariamamesma pre-ferênciaeseapontariamosmesmosdefeitose qualidades decadajogo.

(7)

Clear instructions

Effective teaching

Score keeping

Fun

Not at all So so Almost Yes, for sure

Not at all So so Almost Yes, for sure

Not at all So so Almost Yes, for sure

Not at all So so Almost Yes, for sure

1 I understood all the rules clearly

2 I understood how to win the game

3 I understood the aim of the game

4 I know what i can do in the game

6 So, did the group present the game clearly?

7 Did they organize the game fast?

8 Did they teach the game fast?

9 Did they record the score correctly?

10 Where they always fair when keeping score?

11 Was the game fun?

12 Was the game too easy or too hard to score? (Did they set up the equipment fast) 4 I know what icannot do in the game & the

penalties

Figura2 Questionáriodeavaliac¸ão

Legenda:Todososalunosusaramumquestionáriode12 perguntasdemúltipla escolhaparaavaliarajogoeaapresentac¸ãodo grupo.Asperguntaseramdivididasemquatrogrupos:regrasdojogo,ensinodojogo,registrodedesempenhoediversão.

Resultados

e

discussão

A análise de dados considerou três etapas: a aprendiza-gemdos alunos com a criac¸ão dos jogos,a aprendizagem dosalunosaoensinaremosjogoseosprincipaisproblemas encontrados nos jogos. Cada uma das análises se apre-sentademaneiracomplementar, ouseja,o entendimento decomoaintervenc¸ãocontribuiparaodesenvolvimentoda

compreensãoholísticadojogopermeiaessestrês elemen-tos.

A

aprendizagem

dos

alunos

com

a

criac

¸ão

dos

jogos

(8)

Odesenvolvimentodacompreensãoholísticadojogopormeiodacriac¸ãodojogo 329

holística do jogo: aplicabilidade, cognic¸ão e motivac¸ão. A aplicabilidade dos jogos se relaciona à capacidade de osalunos apresentaremelementosquepermitamumaboa jogabilidade.Umjogoqueapresentaumaboajogabilidade contribuiparaqueo jogadorque treinarepraticarojogo commaisfrequênciapossa desenvolverhabilidades moto-rasetáticasqueotornammelhor,aocontráriodeumjogo que promova o sucesso ao simples acaso. Kafai e Resnik (1996)apresentamacapacidadedesetreinarumjogocomo elementocrucialparamanterojogadorinteressado.Os ele-mentosidentificadoscomocaracterísticasdeaplicabilidade nosjogoscriadosforam:objetosusadosnosjogos,alvose risco-benefício.

Objetosusadosnosjogos

Osalunos apresentaramuma grande diversidade ao esco-lheroobjetoaserusadonojogo.Apesardapredominância naescolhadebolas,outrosobjetoscuriosos, como macar-rãodepiscinaesacosdefeijão(pequenossacosdetecido com feijões dentro, comuns nas aulas de educac¸ão física nos Estados Unidos),também foramusados nos jogos cri-ados. Todos os objetos escolhidos apresentaram uma boa relac¸ão comoalvoestabelecido, ouseja,nãohavia obje-tosgrandesoupequenosdemaisparaoalvoproposto.Dessa maneira,observou-seatendênciadecriaralgonovo, mas ao mesmo tempoapresentou-seumcuidado quantoà sua aplicabilidade.

Alvos

Apesardeamaioriadosjogospoderapresentardiferentes alvos,todososjogosapresentadostiveramsomenteumtipo dealvo,ouseja,todososobjetoscolocadoscomoalvoseram semelhantes.Porexemplo,nãohouvejogoemquesedaria a opc¸ão dederrubar umconeouencac¸apar umabolaem umacaixa.Portanto,osobjetivospropostoseram consisten-tesenãorequeriamaaprendizagemdehabilidadesmotoras distintas.

Risco-benefício

Os alunos foram capazes de incluir o conceito de risco--benefício aos jogos, ou seja, estabeleceram alvos mais difíceisdeseratingidos,commaiorpontuac¸ão.Por exem-plo, os alvos mais distantes valiam mais pontos. Dessa maneira, os jogoscriaram a necessidadede os jogadores optarempordiferentesestratégiasehouveademandapor tomadasdedecisãoeopc¸õestáticas.

O desenvolvimento cognitivo dacompreensão esportivaé apresentadona medidaem queosalunosdemonstramum entendimento do que faz parte de um jogo e do que o tornainteressante.Dessamaneira,apesquisafoicapazde identificardoiselementosrelacionadosaodesenvolvimento cognitivo: a criac¸ão dos jogos de alvo e o discernimento entreosbonsemausjogos.

Acriac¸ãodosjogosdealvo

Apenas um dos nove jogos criados não se enquadrava como jogo de alvo, todos os demais apresentavam as

característicasdessa categoria. Dessamaneira, é possível afirmarque agrande maioriados alunosconseguiu apren-derosconceitosrelacionadosetransferi-losaosjogosque foramcriados. Esse aprendizado representa o desenvolvi-mentocognitivoaocriarosprópriosjogos,umavezqueos jogosdediferentescategoriasrequeremdiferentesformas deorganizac¸ão(Hastie,2010).

Discernirbonsemausjogos

Semconheceraclassificac¸ãofeitapelosprofessores,os alu-nos foram perguntados durante a entrevista quais foram os melhores jogos que praticaram. Foi constatado que houve uma concordância de 100% entre a classificac¸ão dos professores e dos alunos. Isso mostra que eles apre-sentarama mesma capacidade dediscernimentoentre os bons e maus jogos, questão discutida pelos professores. Naclassificac¸ão dosjogos, osalunos fizeram referência a jogabilidade,relac¸ãorisco-benefícioehabilidades cultural-mente valorizadas e estabeleceramuma conexãoentre o desenvolvimentocognitivoeaaplicabilidadeeamotivac¸ão. Amotivac¸ãofoiumdoselementosmaisbeneficiadosno processodecriac¸ãodejogos.Aodeparar-secomaliberdade decriaroprópriojogo,osalunosbuscarameliminaraquilo queosdesagradavaereforc¸arelementosqueosagradavam. Doisexemplosilustramamotivac¸ãodosalunosnospróprios jogosqueelescriaram:participac¸ãoconstanteehabilidades culturalmentevalorizadas.

Participac¸ãoconstante

Apesar de os jogos de alvo tradicionais serem caracteri-zadospela práticaalternada, a maioria dos jogoscriados foi organizada de maneira em que não havia uma longa esperaparaparticipar.Osalunosapresentaramdoisjogos, com diferentes alvos e bolas, e neles cada time compe-tiria ao mesmo tempo, arremessaria bolas em alvos, com configurac¸õesidênticas,postosladoalado.Aequipe ven-cedoraseriaaquelaquederrubassetodososalvosprimeiro. Dessamaneira,todososjogadoresdeambasasequipes per-maneceriamativosdurantetodoojogo,diferentementede muitosjogosdealvotradicionaisjáconhecidos,como boli-che,golfe,bocha.

Habilidadesculturalmentevalorizadas

(9)

A

aprendizagem

dos

alunos

ao

ensinarem

os

jogos

Aocolocaroalunocomoespecialistadoconteúdoque deve-ria ser aprendido pelos demais desencadeou-se um novo desafio,namedidaemqueosalunosnãoestãohabituados aexercer tal func¸ão. Nãoobstante, a maioria dos alunos avaliouqueoensinodojogofoibemfeito,demodoquea explicac¸ão dasregras ede comoelasafetavamo focofoi bemexplicitadapeloscriadoresdosjogos.

Aoensinarseusjogos,osalunosdepararam-secom per-guntaseasexplicac¸õesganharammaiseficiêncianamedida em que eles apresentaram exemplos. Dessa maneira, as descric¸õesdesituac¸õesdejogodemonstravam queos cri-adores dos jogos tinham consciência da importância das regrase mostravam um desenvolvimentocognitivo relaci-onadoàcompreensãodesportiva.Nessemesmosentido,os criadoresdemonstraram valorizarasregras deseusjogos, namedidaemqueessasmoldavamumarealidadedejogoa qualelesalmejavam.

Noentanto, a administrac¸ão dos jogose astabelasde pontuac¸ão propostas não receberam a mesma avaliac¸ão positivado ensinodos jogos.Osalunos consideraram que oscriadoresnãoforambem-sucedidosemorganizare mar-car a pontuac¸ão de cada jogador. Esse resultado não foi surpreendenteconsiderandoqueoalunotevedemudarde comportamentoparaexerceressafunc¸ão.Apesar detoda liberdadeque foidadaao alunona criac¸ãodejogos,eles continuamnomesmonívelhierárquicodoqueosjogadores. Torna-sedifícil para eles organizar um jogo sem ter uma figuradelideranc¸a,comotemoprofessorquandoexercea mesmafunc¸ão.

Aanálisefeitacomrelac¸ãoàmá avaliac¸ãodas tabelas depontuac¸ãodemonstrouafaltadeexperiênciaparaessa prática. Ao considerarmos a intervenc¸ão como um todo, podemos dividi-la em quatro momentos: (1) a aprendiza-gemdejogosdealvotradicionais,(2)oensinamentodesses mesmosjogosaoutrosalunos,(3)acriac¸ãodenovosjogos dealvos e (4) o ensinamento dos próprios jogos dealvo. Aadministrac¸ãodatabeladepontuac¸ãodeveriaser apren-didanosprimeirosdois momentose acriac¸ãodas tabelas deveriaseraprendidanosegundomomento.Nãoobstante, em todos os momentos, as tabelas de pontuac¸ão foram colocadascomoaprendizagenssecundárias,umavezquea criac¸ãodojogoeraofococentral.

A identificac¸ão de que as tabelas de pontuac¸ão e a administrac¸ãodosjogosnãotenhamsidobemfeitasindica umavanc¸onacompreensãoholísticadojogo,umavezque osalunosforamcapazesdereconhecerqueumbomjogo,e quetem boajogabilidade e é divertido, pode, ao mesmo tempo, ter sido mal administrado e com uma tabela de pontuac¸ão mal resolvida. Dessa maneira, os alunos mos-traramsercapazes deidentificar osvárioselementos que compõemumjogo,apesardeamaioriadosgruposnãoter sidocapazde contemplartodos esseselementos ao criar, ensinareadministrarseusjogos.

Principais

problemas

dos

jogos

Quaseatotalidadedosjogosapresentoualguma caracterís-ticaquepoderiaserconsideradacomosimplesdefeito,por

alterar a experiência do jogo de alguma forma negativa. Noentanto,simplesalterac¸õesnasregrasouconfigurac¸ões doscamposdejogotornariamosjogosmaisparticipativos, maisestratégicosecommelhorjogabilidade.Oprocessode criac¸ãodejogosnãovisaaumabuscaincessantepelojogo perfeito,afinal seriamuito difícilargumentarcomo e por queojogoseriaperfeito.

Portanto,a identificac¸ão dos principais problemas dos jogos não se refere a aspectos circunstanciais, mas sim àscaracterísticas que mostraram umatendência entreos vários grupos que criaram os jogos, e reconhece que a intervenc¸ãonãofoicapazdeensinaralgunselementosque deveriam ser levados em considerac¸ão na criac¸ão de um jogodealvo.Foramidentificadosdoisproblemascentrais:o sistemadepontuac¸ãocondizenteeorisco-benefício apro-priado.

Sistema

de

pontuac

¸ão

condizente

Nosprimeirosdiasdaintervenc¸ão,osalunostiverama opor-tunidadedevivenciardiferentesformasdepontuac¸ãoentre osjogosdealvo:ogolfedefrisbe,cujoobjetivoéacertarum alvocommenornúmerodetentativaspossíveis,abocha,na qualseprocurachegarmaispróximodeumalvocomnúmero detentativaslimitadas,oladderball,queimplicaummaior númerodeacertosem umalvo.Dessamaneira,buscou-se ensinarasváriaspossibilidadesqueosalunospoderiamusar emseuprópriojogoeestimularnãosóadiversidade,mas tambéma criatividade,caso elesoptassem por criar algo completamentenovo.

Não obstante, a busca pela diversidade e criatividade fez com que alguns grupos optassem por um sistema de pontuac¸ão de extremos, em que a diferenc¸a entre a execuc¸ãoperfeitaeofracassoeramuitopequena.Emoutras palavras,apontuac¸ãotinhaumadiferenc¸amuitopequena seajogadafosseperfeitaousetivesseerrosmínimos.Por exemplo,emumdosjogos,ojogadordeveriaencac¸aparuma bolade borrachadentro deumacaixa.No entanto,havia váriosobstáculosemqueabolanãodeveriatocaratéchegar àcaixa.Casooalunotivessepassadoportodososobstáculos menosoúltimo,elenãoganhariaqualquerpontoe recebe-riaamesmapontuac¸ãodeumjogadorqueacertassetodos osobstáculos.Dessamaneira,adiferenciac¸ãodeum joga-dorbom,intermediárioeruimtornou-sedifícil,poisapenas ojogadorótimofoicapazdesediferenciardosdemais.Essa configurac¸ãopodemosconsiderarumafalha,namedidaem que todos osjogadores são colocadosno mesmo nível de sucesso apesarde haver diferenc¸as. Isso pode desestimu-laralgunsjogadorespornãoseremcapazesdenotaroseu progressodeexecuc¸ãodentrodojogo.

Risco-benefícioapropriado

O risco-benefício apropriado pode ser considerado uma extensão do sistema de pontuac¸ão. Para facilitar a com-preensão, vejamos o exemplo: um grupo apresentou um jogoemqueasequipestinhamtrêssacosdefeijão(10cm2

cada) e deveriam fazer o maior númerode pontos possí-veisaoarremessá-losemtrêsalvos(20cm2cada)comtrês

(10)

Odesenvolvimentodacompreensãoholísticadojogopormeiodacriac¸ãodojogo 331

a três metros,que valia doispontos, e um terceiro colo-cado aseismetros,que valiatrês pontos.Considerando a probabilidadedeacertar cadaalvo, abuscapelo segundo eterceiroalvonãoapresentavaumaboarelac¸ãode risco--benefício, pois eramuito maisfácil acertar três vezes o primeiroalvodoqueacertaroterceiroalvoumaúnicavez com três tentativas.Em outras palavras,é como se colo-cássemosacestadetrêspontosdobasquetebolnomeioda quadra.Nessesentido,quasetodososjogadoresoptariam semprepeloprimeiroalvoeaquelesqueseaventuravamnos outrosdoisquasenuncaerambem-sucedidos.

Conclusão

A criac¸ão de jogos esteve presente na vida de muitas crianc¸as na gerac¸ão daqueles que hoje são professores de educac¸ão física. Criar, recriar e modificar os próprios jogos era tão importante quanto a prática. A formac¸ão de um senso crítico que permita ao jogador entender a configurac¸ãodojogopodeapresentarmaisespac¸ona prá-ticareflexiva desuainvenc¸ãodoque na práticaintensiva semalterac¸ões.Noentanto,arua,principalambienteusado paracriac¸ãodejogos,foiperdendoespac¸odentrodasnovas configurac¸õesdasociedadee ojogotambémpassoua ser praticadodeoutrasformas,comconstantessupervisõesde adultosemclubes eescolas,alémdovideogame,quenão incluiaatividadefísicaeestabeleceintermediac¸ões limita-doras.

Independentemente dos motivos que levaram a tal configurac¸ão,aeducac¸ãofísicatemaoportunidadede res-gatar essaculturagenuinamente infantil,assimcomo tem o objetivo de ensinaros jogos folclóricos pertencentes à culturalocal. Noentanto, éfundamental que a educac¸ão físicaencontreumafunc¸ãoeducacionalparatalprática,ou seja,queacriac¸ãodejogosnãoviseaumfimemsimesmo, masa um meioque possibilite a aprendizagem de outros objetivos.Nessesentido,acompreensãoholísticadojogoé colocadacomoumdospossíveisbenefíciosqueacriac¸ãode jogospodeproporcionar,umavezqueessacriac¸ãoincluia compreensãodeles.

Dessamaneira,opresenteestudonosmostraqueos desa-fiosdecriare ensinarumjogopodemauxiliaraeducac¸ão físicanoensinodacompreensãoholísticadojogo.O enten-dimento holístico de como cada jogo é construído passa pordiversoselementos, quevão desdearelac¸ãoentreas regras,táticasehabilidadesmotorasenvolvidasatéos valo-res e a interac¸ão social que o jogo pode proporcionar. A consciência decomo alterar cadaumdos elementos cita-dospermeiaumprocessodetentativaeerro,umavezque amodificac¸ãodecadaelementodojogopossainteragirde maneiranãoprevisível.Emoutraspalavras,ojogoapresenta umaconfigurac¸ãocomplexa,naqualotodo(ojogo)nãoé simplesmentea somadaspartes(regras,interac¸ãosocial, habilidades), umavez que ainterac¸ãodessas partespode gerarresultadosmúltiplos.

A criac¸ão dejogos mostrou-secomo umconteúdo viá-velpara aeducac¸ão física,nosentido deque é capazde ensinarsobre a jogabilidade, isto é, seé possível ounão jogar o que foi proposto; a relac¸ão entre as regras e as táticas,quedemonstracomoqueaalterac¸ãodeumaregra alteraaconfigurac¸ãoeasestratégiasdojogoeatémesmoo

própriogostodospraticantes,namedidaemqueeles perce-biamoqueosmotivava.Apesardeosalunosapresentarem dificuldade de estabelecer um risco-benefício apropriado eum bomsistemade pontuac¸ão,acreditamos que outras intervenc¸ões com a criac¸ão de jogos possam contemplar essaaprendizagem.Porémmaisestudossãonecessáriospara confirmaressaafirmac¸ão.

Assim,ateoriadoconstructionism,quevisaa proporcio-naraprendizagens por meioda criac¸ão, é colocada como umaopc¸ão a ser trabalhada na educac¸ão física. A busca porumapráticareflexiva,em queo alunoprocure desen-volverumsensocríticocomrelac¸ãoaosdiversoselementos que compõem umjogo, pode ser incentivada,na medida emqueoalunosedeparacomodesafiodecriaropróprio jogo.Noentanto,éimportantefrisarquetalobjetivosófoi alcanc¸adopormeiodeumprocessodeensino-aprendizagem que valorizou essa reflexão. Portanto, a criac¸ão de jogos devepassarporumametodologiadeensinoqueaomesmo tempoproporcioneliberdadeaoalunodetentarnovas pos-sibilidades,masnãosemdeixardeladoareflexãoquecada opc¸ãopodelheproporcionar.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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