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C o n los p rim e ro s filó so fo s a p a re c e en G recia la c rític a al m ito co m o fo rm a d e ex p lica r el m u n d o . D esde .in co m ien zo la filosofía tie n e q u e e n fre n ta rs e a los m ito s, pues in te n ta e n ­ c o n tra r m e d ia n te u n n u ev o m é to d o d e co n o c im ien to , el de la ra z ó n , u n fu n d a m e n to y u n a s c a u sa s a los m ism o s fe n ó ­ m enos q u e el m ito daba com o pro d u cid o s p o r los seres divinos y h ero ic o s d e tie m p o s lejan o s. F rente a la n a rra c ió n m ítica so b re el o rig en d el m u n d o y d e las cosas, ah o ra los filósofos p la n te a n la p r e g u n ta p o r la v e rd a d d e u n m o d o rad ic al. Y este p o n e r en c u e stió n to d o el m u n d o m ítico su p o n e u n e n ­ fre n ta m ie n to a la tra d ic ió n . En g rieg o la p alab ra q u e sig n ifi­ ca «verdad» es aléthcia, q u e sig n ific a e tim o ló g ic a m e n te «desvelam iento», o negació n d e la iéthc u «olvido» d e lo real; d esd e su s co m ien z o s, la filosofía se p lan tea com o u n a tarea crítica, lise se n tim ie n to d e d esco n fian za en las explicaciones trad icio n a les, q u e es ca ra c te rístic o d e los p en sad o res del si­ glo vi a.C., d e u n Jenófanes o u n H eráclito, su p o n e un rech a­ zo d e lo m ític o , lis d e c ir q u e , c u a n d o Tales de M ileto dice que el o rig en y p rin c ip io fu n d a m e n ta l d e to d o es el ag u a, ya está n e g a n d o c u a lq u ie r m y th o s so b re el arché có sm ic o que no sea u n e le m e n to n a tu ra l. C o n u n a resp u esta d e ese tip o

¡ 6 6 111. IN't I'iKPKt-'TACIONKS

q u e d a ya en e n tre d ic h o cl relato so b re los d io se s p rim ig e ­ nios» sean U ran o y Cica, o el p ro lífico O céano.

F.l en fre n ta m ie n to e n tre el m yiltos y el lógos n o es m o m e n ­ táneo» sin o q u e m ás bien p o d e m o s verlo c o m o u n a larg a c o n tie n d a en la q u e el m ito va c e d ie n d o el te rre n o , con u n a cierta disp licen cia, e s fu m á n d o se an te las luces d e la ilu s tra ­ ción. I.a m a rc h a del m ito al logos (seg ú n un fam o so lib ro d e W. N estle: Votn M ythos zu ñ í Logos '■'■') no es u n a p erip e cia c a ­ ta stró fica, sin o u n p rogresivo avance d e la o b se rv a c ió n y la reflexión co m o bases d e la ex p licació n rac io n al del m u n d o , so b re las cuales la especulación filosófica co n stru y e su in te r­ p reta ció n .

l,a h isto ria del p e n s a m ie n to g rie g o h a sid o b ie n e s tu d ia ­ d a d e s d e esta p e rsp e c tiv a . C u a lq u ie r m a n u a l d e la h is to ria d e la filo so fía a n tig u a re c o g e lo e s e n c ia l d e e s te p ro c e so . Ju n to al ya c ita d o W. N estle, p o d r ía m o s re c o rd a r e s tu d io s im p o rta n te s d e C o rn fo rd , U n te rs te in e r, F ra e n k e l, Jaeger, B u rn et, G igon y o tro s, q u e n o s h a n c o m e n ta d o con a g u d e ­ za y h o n d u r a có m o la filosofía n o s u p u s o u n b r u s c o c o rte en la c u ltu r a h elén ic a, sin o u n p ro g re siv o av a n c e d e la i n ­ q u isic ió n ra c io n a l so b re te rr e n o s a n te s d o m in a d o s p o r los m ito s. P ero en las m ism a s e x p lic a c io n e s m ític a s h a b ía ya a lg u n o s p u n to s q u e fa c ilita b a n ese av a n c e c rític o . P e n se ­ m o s, p o r ejem p lo en los in te n to s d e u n o rd e n en el p ro c e so c o s m o g ó n ic o d e s c rito p o r I Iesío d o . I-rente a o tr a s m ito lo ­ gías la h elé n ic a está s in g u la r m e n te b ie n o r d e n a d a y d e s ta ­ ca p o r su se n c ille z y su re fe re n c ia a a s u n to s fa m ilia re s , co m o C. S. K irk ha d e s ta c a d o . Kl a m p lio m a rg e n d e lib e r­ tad c rític a e x iste n te en la so c ie d a d g rie g a al re sp e c to d e la relig ió n fav o reció ese av a n ce c rític o . (A u n q u e h u b ie ra a l­ g ú n q u e o tr o e n fre n ta m ie n to g rav e , c o m o c u a n d o A naxá- g o ra s fue c o n d e n a d o en A ten a s p o r s o s te n e r q u e el sol e ra u n a e n o r m e ro ca c a n d e n te s u s p e n d id a en el cielo , o c u a n ­ d o S ó c ra te s fu e a ju s tic ia d o tr a s u n p ro c e s o d e im p ie d a d e s p e c ta c u la r.)

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I N n !Rt’R i:rA i:iO N K S l>l;. i x is M ÎT O S : 1-1 A l K C iO R ISM íl Y H FVt’MF.RISMO 167

Lstá claro q u e en c u a n to se le p la n tea a! m ito la cu e stió n d e la veracidad d e lo q u e n a rra , n o p u ed e d a r razó n d e ello. D ar raz ó n d e a c u e rd o con los d alo s reales es algo p ro p io del logos. Un c u a n to se p la n te a n d u d a s s o b re su v e ra c id a d los m itos se e n c u e n tra n en u n a p o sició n débil, y com o creencias lic n cn u n a d u d o s a vigencia. La c u e stió n d e hasta q u e p u n to c re ían los g rieg o s en sus m ito s es b a s ta n te com pleja; la re s­ p u esta varía m u c h o según la ép o c a y el nivel intelectual y el lip o d e m itos. P. V e y n e ,q u e se la ha p la n tea d o en un b rillante libro l3\ reco n o ce q u e sí, p e ro a g ra n d e s rasgos y p a rtie n d o del h e c h o d e q u e el cre er n o es u n ac to sim ple. O rteg a, en su

ideas y creencias, atin a, p en sam o s, en se ñ a la r que en las c re ­

en cias se está in stalad o , y q u e es só lo c u a n d o éstas se po n en en c u e s tió n c u a n d o su rg e n las id eas c o m o nuevos in s t r u ­ m e n to s p a ra a p re h e n d e r la rea lid ad cu estio n ad a.

P ienso q u e el p ro g re sa r d e la filosofía en C irecia p u ed e e n ­ focarse con ay u d a d e ese e sq u em a . Λ m e d id a q u e los m itos co m o creencias van sie n d o so m e tid o s a crítica, van cedien d o su lu g a r a los r a z o n a m ie n to s y las ideas. P o r o tr o la d o , allí d o n d e no llegan las ideas o los raz o n am ie n to s sig u en in sta ­ lá n d o se los m ito s. Así, p o r ejem p lo , c u a n d o P lató n q u ie re h a b la rn o s d e la vida del alm a in m o rta l tra s la m u e rte ha de r e c u rr ir a u n m ito (q u e, co m o h em o s dich o , es u n a re c re a ­ ció n p la tó n ic a so b re u n a p au ta trad icio n a l).

A h o ra q u isié ra m o s n o in sistir so b re este en fren ta m ie n to , sin o tan só lo e n fo c a r u n a sp e c to del m ism o : cóm o se re h a ­ b ilita el m ito a n te los e m b a te s d e la e x p lica ció n ra c io n a l. P ara a lg u n o s ilu s tra d o s, co m o lo e ra n los sofistas, los m ito s a p a re c e n co m o reliq u ias fab u lo sa s d e un p asad o ig n o ra n te , q u e ex p licab a el m u n d o d e u n m o d o fantástico e in fan til, o b ien c o m o m e n tira s y p a tra ñ a s u rd id a s p a ra en g a ñ o d e las gentes. A nte el t rib u n a l d e la razó n los m ito s q u ed a b an c o n ­ d e n a d o s co m o n o veraces, c o m o «ficciones d e los a n ti­ guos», pltlsm ata (óti protérón, p o d ría m o s d ec ir con u n a ex ­ p resió n d e Jenófanes. Jenófanes fue el p rim e ro en a ta c a r la

168 III. IN T K R I’H fc iA C IO N k S

te o lo g ía n iílic a d e H om ero» co n su s d io s e s a n tr o p o m ó r f i­ co!», v io le n to s e «inm orales», lis d ecir, u n o s d io se s in a d m i­ sib les d e s d e las ex ig en c ias c rític a s d el p e n s a d o r ilu s tra d o del siglo vi a.C.

Y es p ro b a b le m e n te fre n te a ese a ta q u e c u a n d o su rg e la te o ría alegórica, que g o za rá luego d e g ra n ac ep tac ió n p o r fi­ lósofos p o ste rio re s (en a lg u n o s sofistas, en los estoicos, y en lo sn e o p la tó n ic o s ). La te o ría aleg ó rica, u n in te n to p o r salv a­ g u a rd a r la lección veríd ica d e los m ito s, só lo en a p a rie n c ia esca n d alo so s, es ta m b ié n u n sig n o d e la ilu s tra c ió n , ya q u e p a rte d e ac e p ta r que el le nguaje del ra z o n a m ie n to es el n o r ­ m al y q u e los m ito s *e ex p re san en o tro lenguaje, se c u n d a rio y poético, q u e hay que tra d u c ir al có d ig o del logos p a ra co m ­ p re n d e rlo en to d a su h o n d u r a y valor. Kl p r im e r ale g o rista fu eT eá g e n e sd e Regio, un sagaz c o m e n ta d o r d e l lom ero, del siglo vi a.C . (Su d o c trin a está ex p u e sta en un escolio a la Ilia­

da XX 67, en u n a cita breve, p ero m u y jugosa.)

Kl escolio B al citad o p asaje d e la ¡liada dice así:

La e n s e ñ a n z a a c e r c a c e lo s d i o s e s g e n e r a l m e n t e r o z a lo v io le n to y a u n lo i n m o r a l. P u e s v a él (¿ P o rf irio ? ) s e ñ a la q u e lo s m i t o s d e lo s d io s e s s o n e s c a n d a lo s o s . F r e n te a ta l ju i c i o , a lg u n o s b u s c a n t r a s la a p a r ie n c ia d e su fig u ra v e rb a l u n a s o lu c ió n a la d if ic u lta d , e n la c r e e n ­ c ia d e q u e ( o d o e s lit d ic h o a le g ó r ic a m e n te d e la n a t u r a l e z a d e lo s e le m e n to s ; a s í s e r í a , p o r e je m p lo , c u a n d o se h a b l a d e lo s e n c u e n ­ t r o s h o s t i l e s d e lo s d to s e s . S e ñ a la n q u e t a m b i é n lo s e c o c o m b a t e c o n t r a lo h ú m e d o y lo c á lid o c o n lo I río , y lo lig e r o c o n t r a lo p e s a ­ d o . T a m b ié n el a g u a t e n e la f a c u lta d d e a p a g a r e l fu e g o , y e l fu e g o la d e s e c a r el a g u a . Y «sí s u b y a c e e n t r e lo s v a r io s e l e m e n t o s , d e los q u e se c o m p o n e el u n iv e r s o m u n d o , u n a o p o s i c ió n , y e n p a r t e s u l v y a c e é s ia t a m b i é n a l p r o c e s o d e s u d e s t r u c c i ó n . P e r o el c o n j u n t o p e r m a n e c e e n la e te r n id a d . A s í q u e el p o e ta 11 l o m e r o 1 p e r m i te q u e te n g a n lu g a r la s b a ta lla s ( e n t r e d io s e s ) y n o m b r a al f u e g o A p o lo y 1 le lio s , y t a m b i é n H e íe s to ; y al a g u a P o s é id o n y E s c a m a n d r o ; a la lu n a A rte m is ; al a ir e M era, e le . D e m a n e r a p a r e c id a d a él, p o r o t r o la d o , n o m b r e s d e d io s e s a la s f a c u lta d e s y p r o p i e d a d e s e s p iritu a le s ; a s í d ic e e n lu g a r tie la n te lig e n c ia A te n e a , e n v e z d e s i n r a z ó n A re s,

I . Ι Ν Τ Κ Η Η Κ Κ Ι Λ » H O N K S U K I O S m i t o s ; h A l.l M I K I V M O Y 1 1. ΙΛ Ί :Μ Η Ι·ΐΝ Μ Ο

c n v e z d e p a s i ó n A fro d ita » e n l u g a r d e a s t u c i a H e r n ie s , e le . liste m o d o tío e x p lic a c ió n |d e l p o e m a h o m é r i c o ] e s m u y a n t i g u o ; c o ­ m e n z ó a p a r t i r d e T e á g e n e s d e K e g io , q u e fu e el p r i m e r o e n e s c r i­ b ir a s í s o b r e I l o m e r o .

P o d em o s fig u ra rn o s có m o su rg ió esta defensa p o é tic a de H om ero» q u e re c u rre a la te o ría d e q u e él se expresaba alegó-

ricam ente. Alegoría es, e tim o ló g ica m en te , «o:ro hablar», es

d ecir, u n a e x p re sió n fig u ra d a , c ifra d a , m e ta fó ric a , t i c o ­ m e n ta d o r salva así la v erd a d p ro fu n d a d el m ensaje h o m é ri­ co, q u e p u e d e tra d u c irse a sen ten c ias co m o las d e los filóso­ fos (la o p o sic ió n d e los ele m e n to s n a tu ra le s , ta n d estac ad a p o r H erác lito y o tro s presocnU icos, está b ajo la aleg o ría de los co m b ate s en tre d io ses en la lita d a ). D an d o p o r a c ep tad o que las n a rra c io n e s m ític a s so n escandalosas [ante el ca n o n ético d e la m o ra lid a d c o n v e n c io n a l, cív ica y c o tid ia n a ), se in te n ta ju s tific a r la sa b id u ría del p o e ta aleg a n d o q u e se ex ­ p resa b a d e u n m o d o c ríp tic o , m e d ia n te u n código poético. C o n tal le n g u a je alu d e y revela a los e n te n d .d o s v erd a d es p ro fu n d a s o c u lta s tra s un velo d e m etáforas» Iras un ropaje em b ellec id o p o r im ág en es plásticas.

La te o ría aleg ó rica g ozó d e u n e n o rm e éxito en el in u n d o a n tig u o y ha p e r d u r a d o en v a ria d a s ép o cas, con a lg u n o s m atices nuevos. Ya los esto ico s se sirv ie ro n d ee lla c o n tra los escé p tico s y los e p icú reo s, en u n in te n to d e resc ata r la d o c ­ tr in a religiosa d e los m ito s v en e rab le s, y los n eo p lató n ico s h ic iero n alg o p a re c id o fre n te a los c r is tia n o s (q u e n o q u e ­ rían n eg ar la existencia d e los d io se s p ag a n o s, sino an te todo d e s ta c a r su in m o ra lid a d esca n d alo sa ); m á s tard e los g n ó s ti­ cos r e c u rrie r o n a la h e r m e n é u tic a a le g ó ric a p a ra e x p re sa r u n a c o n c e p c ió n sem i filosófica del u n iv e rso en v o lv ien d o sus d o c trin a s en relatos m e ta fó ric o s y fantásticos, al m o d o de los a n tig u o s m ito s. F u n d a d a en el p rin c ip io d e la alegoría se d esp lie g a u n a su til h e rm e n é u tic a q u e busca el se n tid o sim bólico d e las fig u ra s y los ac to s n a rra d o s en el m ito para

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tra d u c irlo en u n p la n o m ás a b stra c to . Así el m ito q u ed a v is­ to co m o u n lenguaje cifra d o q u e cela u n sa b er p ro fu n d o que hay q u e in te rp re ta r y descifrar, Erente al m o d o lógico d e ex­ p re sa rse , cabe u n a a lte rn a tiv a , la de! m ilo co m o len g u aje críp tico , cuya h o n d u ra e s p iritu a l req u ie re tal vez esa fo rm a fig u ra d a de expresión p o é tic a y religiosa.

N o se discute, pu es, q u e el m o d o lógico sea el v d id o p a ra la c o m u n ic a c ió n h a b itu a l, sin o q u e se alega, en d efensa de los m ito s, que ese le nguaje m ítico posee u n código p ro p io y u n a s referen cias cifra d a s, q u e los sa b io s sa b e n e n c o n tr a r y rastrear. HI m ito dice verdades p ro fu n d as, intuiciones ex tra o r­ d in a ria s, que, con u n a n o ta b le p é rd id a d e su vig o r p o é tic o y su p la stic id ad e sp iritu a l, los e n te n d id o s p u e d e n tra d u c ir al lenguaje m o stre n co y n o rm a l d e la ex p re sió n lógica. I .os m i­ tos, p a ra se r e n te n d id o s, req u ie re n u n a exégesis que e x p r i­ m a io d o el se n tid o de su fo rm a alegórica.

El em p leo del m é to d o alegórico en la in te rp re tac ió n d e los m ito s p erm ite d e s c u b rir tra s su in g e n u a y escan d alo sa a p a ­ riencia m ensajes con se n tid o s p ro fu n d o s y d e alcance filosó­ fico. Pero, en la in te rp re ta c ió n d e a lg u n o s aleg o rista s, esa tra d u c c ió n de los miUxs a b o c a a re su lta d o s tie u n a a s o m b ro ­ sa triv ialid ad . Así, p o r ejem p lo en las H istorias increíbles de Paléfato, u n m ediocre e sc rito r del siglo iv a .C , se nos d a u n a versión «racionalizada» d e los m itos, q u e n o s s o rp re n d e p o r lo an e cd ó tica y íacilo n a. De este Paléfato n o ten em o s d ato s p erso n ales. C o m o señ ala W. N estle,

e s cl típ ic o te ó lo g o d e c o m p r o m is o y m e d ia c ió n , q u e s e s e p a r a t a n ­ t o d e lü cr<Mtilu m u c h e d u m b r e c o m o d e lo s « c o m p le to s i n c r é d u ­ lo s» . I .a v e r d a d e s tá e n e l t é r m in o m e d io y l o d o lo q u e s e d i e n t a , s u - p o n e él, s e b a s a e n a lg ú n s u c e s o . N o e x is te u n a in v e n c ió n c o m p le ta . H a y q u e n e g a r s e a a d m i t i r e s o s s u p u e s t o s h e c h o s q u e h a n s u c e d i ­ d o s e g ú n la tr a d i c i ó n u n a s o la v e z y n o s e r e p i t e n y a e n e l ti e m p o p r e s e n t e , e n el m u n d o d e n u e s t r a e x p e r ie n c ia : s o n e x a g e r a c io n e s p o é tic a s d e a c o n te c im ie n to s r e a le s , p a r a h a c e r d e e llo s h e c h o s s o ­ b r e n a t u r a le s y m ila g r o s o s . P e r o h a y q u e e x p lic a r ta m b ié n p o r q u é

i. i n t i:r i*h i Τ Λ α ο Ό * d el o sm i t o s: t!i a i.i.u o r i n m oyi:i. k v u m h u s m o I7¡

se hn r e c u r r id o a e s a s r e p r e s e n ta c io n e s in c r e íb le s . S e g ú n (a le s p r i n ­ c ip io s se s o m e te n a e x a m e n lo s m i t o s s is te m á tic a m e n te , d e m o d o c ju e s e in t e r p r e t a n to d o s y c a d a u n o d o l o s r a s g o s d el m ito , y s e o b ­ tie n e al l'iiml u n a e l im in a c ió n c o m p l e t a d é l o s o b r e n a tu r a l.

La o b ra de P aléfato n o s p ro p o rc io n a u n a serie d e e je m ­ plos. Así A cteón no se h a b ría tra s fo rm a d o en u n ciervo» ni fue luego d e sp ed a zad o p o r su s p ro p io s p erro s, sino q u e esc d e sg a rra m ie n to fue el que le p ro d u jo su p asió n por la caza y la c o m p ra d e p e rro s, q u e le a r r u in ó y d ev o ró su hacienda. La fábula d e N íobe, tra sfo rm a d a p o r el d o lo r en u n a ro ca , a lu ­ d iría sim p lem en te a u n a estela d e p ie d ra levantada so b re la tu m b a d e una d e s v e n tu ra d a m adre. Linceo, del que se refe­ ría q u e p o d ía ver in clu so d eb a jo d e tie rra , h a b ría sid o s im ­ p le m en te el inv en to r d e la m in e ría y la lá m p ara d é lo s m in e ­ ros. A Ivuropa la ra p tó u n cre te n se q u e se llam aba Toro, no un (oro real, liolo fue un astró lo g o , sa b e d o r d e la ciencia de los vien to s y la navegación, q u e a d ie stró en tal sab er a Ulises. Kl m u ro d e b ro n ce q u e c e rcab a su isla no e ra m ás q u e un ejército d e g u errero s h o p litas. La fam osa h id ra d e cincuenta cab ezas, q u e v enció H eracles, e ra u n ca stillo co n ese n o m ­ bre, del rey de L em nos, q u e estab a d efe n d id o p o r cincuenta hoplitas. C u a n d o caía uní), le su stitu ía n o íro s dos. L1 c a n g re ­ jo q u e so c o rría a la h id ra n o e ra sin o u n g u e rre ro c a rio con el n o m b re p ro p io d e K ark in o s, « can g rejo » . M edea, q u e, según el mito, rejuvenecía a los a n c ia n o s ai cocerlos en un cal­ d e ro m ágico, n o e ra m ás q u e u n a hábil in v e n to ra de u n tin ­ te p a ra el pelo, y d e u n a esp ecie d e sa u n a, m u y conveniente p a ra la salud y la ap a rie n c ia juvenil.

Este m o d o d e in te rp re ta r los m ito s, m e d ian te su explica­ ción racionalista ta n sup erficial, su p o n e q u e los relatos tr a ­ dicio n ales es:án fu n d a d o s en e rro re s d e tra n sm isió n y ex a­ g era cio n e s d isp a ra ta d a s. Sin llegar a u n siste m a tism o tan m arcado» lo e n c o n tra m o s en los p rim e ro s h isto ria d o res, los lo g ó g rafo s ju n io s, y en c o m e n ta d o re s ta rd ío s. Se m a n tu v o

172 III. (N lf-K I’ Kf-TACfONLS

on la Kdad M edia y on el R e n ac im ie n to . Poro lo m ás s o rp re n d e n te os la rea p arició n del m é to d o en la é p o c a m o ­ d e rn a , d e sd e c o m ien z o s del siglo xix, a m p a ra d o en te o rías d eriv a d a s d e la Ilu strac ió n .

May, c o m o se ad v ierte ya en la cita d el escolio a la ¡liada, un a le g o rism o físico y o tro e s p iritu a l, se g ú n se e n c u e n tre n tra s los p erso n a jes m íticos alu sio n e s a fuerzas d e la n a tu ra ­ leza o a p o deros del e sp íritu . La d istin c ió n p u ed e proyectarse a in te rp re ta c io n e s más recientes. Kn el siglo xix ya v erem os q u e p a ra u n o s los m itos se refieren m e d ia n te ese le nguaje fi­ g u rativ o a fen ó m en o s n a tu ra le s (co m o c u a n d o M ax M üller y su s se cu a ces in te rp re ta n c o m o a lu sio n e s a a u ro ra s , to r ­ m e n tas y p u e sta s do sol los rela to s d e lu ch as d iv in a s), m ie n ­ tr a s q u e p a ra otro?·, c o m o p a ra a lg u n o s psico an alistas» los m ito s c u e n ta n en su fig u ra d o y d ra m á tic o len g u aje los c o n ­ flictos, te m o res y esp eran zas del alm a h u m a n a , y so n algo así co m o los su e ñ o s de u n alm a colectiva.

¡.a teoría de Evcmero

Algo p o ste rio r al alegorism o, h u b o o tra teoría so b re la in te r­ p reta ció n de los m itos q u e tu v o e x tra o rd in a ria reso n an cia en o) a m b ie n te helenístico. F ue el ev e m e rism o , q u e d eriv a su n o m b re d e su supuesto inventor, F.vémero do M escne, u n es­ crito r d e fines del siglo IV a.O. A u nque hay ra stro s d e esta teo ­ ría ya an tes (en el m ism o H e ró d o to ), fue F.vémero el p rim e ro en su ste n ta rla do m o d o g lobal, n o en u n tr a ta d o científico, sin o en un texto casi novelesco. Según él los d io ses m ítico s no son m ás q u e personajes h istó rico s d e u n p asad o nial reco rd a­ do, m ag n ificad o s p o r u n a tra d ic ió n fantasiosa.

Un la te o ría do livem ero hay claros reflejos do un m o m e n ­ to h istó ric o precisa: el do la deificació n d e los p rim e ro s m o ­ n arcas helenísticos, los D iád o co s, sucesores del g ra n A lejan­ dro. N os d e te n d re m o s u n ra to en e x p o n e r lo q u e sa b em o s de

1. IN -J I ;R P K h T A < lO N K S U l· L O S M I I O S : H . A l M I O K I S M O Y L V K M I J .I S M O ¡73

su o b ra , p e rd id a p a ra n o so tro s. Kvém ero estuvo al servicio del rey C a s a n d ro d e M a ce d o n ia e n tre el 3 1 1 y el 298 a.C . y allí d io a c o n o c e r su lib ro Hiera A nagraphé, la « in sc rip ció n sa g ra d a » , lin su a s p e c to e x te rn o se tr a ta b a de u n rela to de viajes, p e ro p o r su co n te n id o e ra básicam en te u n a n a rra c ió n u tó p ic a (q u e p o d ría en laz arse con la República de P lató n , la

C iropedia d e Jenofonte y la A tla n tis d e Critias}.

Kn el lib ro c o n ta b a K vém ero su viaje p o r el g ra n O céan o (el Ind ico , al su reste d el co n tin e n te asiático ), d o n d e a rrib ó a u n g r u p o d e islas, la m a y o r de las c u a le s era P ancaya, que d escrib ía con u n c ie rto detalle, co m o u n a n tro p ó lo g o avant

la lettre. A llí e n c o n tró u n a p o b la ció n d iv id id a en tres clases

y regida p o r los sacerd o tes. Pero lo m ás im p o rta n te es q u e en u n a larga in sc rip c ió n sa g ra d a (d e a h í el títu lo de la o b ra) h a ­ lló la h is to ria d e los p rim e ro s reyes d e Pancaya: U ra n o , su h ijo C ro n o y el h ijo y su c e so r d e éste, Z eus, así co m o las h a ­ za ñ as d e los m ism o s. A esto s reyes d e g ra n p o d e r s e les había re n d id o luego cu lto d iv in o . Y su s res gestae se h a b ían exage­ rad o con el p a so d e los siglos. La co n c lu sió n estaba al a lca n ­ ce d e la m a n o . 1 le a h í de d ó n d e v en ían los dioses griegos, lin esa re m o ta isla o ce án ica a ú n se c o n serv ab a el rec u erd o d e lo q u e fu e ro n , a n tig u o s reyes, d eificad o s p o r el cu lto p o p u la r, co m o lo» m o n a rc a s h elenísticos.

lil libro d e Kvém ero o b tu v o u n a e s tu p e n d a ac o g id a p o r la ac tu a lid a d d e su s alu sio n es. El c u lto d iv in o a los so b e ra n o s, « benefactores y salvadores» d e los pu eb lo s, estaba en el can- delero. Ya F ilipo y A lejan d ro h a b ía n rec ib id o h o n o re s d iv i­ nos. Kn Kgipto T olom eo II y su h e rm a n a A rsínoe fu ero n d e i­ ficados y se Ies a d s c rib ió u n cu lto , en S iria A n tío c o II y D e m e trio se h a b ía n p ro c la m a d o d io se s, etc. P o r o tr o lado, a lg u n a s le y en d a s locales a p o y a b a n el aserto : en la isla de C reta se m o stra b a el se p u lc ro d e Zeus. La revelación de iivé- m ero se a p o y a b a, pu es, en u n a sólida basis «cultural». ¿Por q u é n o iban a se r los viejos d io se s an tig u o s reyes deificados p o r el ag ra d e c im ie n to p o p u la r y el o lv id o histórico?

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. INIt.Kl’K H A U O S 'I.S

tin n io tra d u jo la a b ra d e Kvcm cro al latín . Sin d u d a d eb ió d e esca n d a liz a r a los ro m a n o s p ia d o so s y co m p lac er a los es­ cépticos. E n tre los escrito res g rie g o s d e su ép o ca, C a lim aco le re p ro c h ó su elo cu en cia y su friv o lid a d d e s c a ra d a , y Ura- tó ste n e s le lla m ó e m b u ste ro . A cin co sig lo s d e d ista n c ia , P lu tarco le ac u sa de « h ab e r d ise m in a d o el ateísm o p o r to d o el m u n d o » 1 w. A los P adres d e la Iglesia les fue ú tilísim o p ara sus ataq u es c o n tra los d io ses p ag a n o s; d e a h í q u e lo citen con fre cu e n cia ; p o r ejem plo, así lo h ac e l.a c ta n c io . Y g ra c ia s a ello su in te rp re ta c ió n p asó a los escrito res m edievales, co m o u n re c u rso p a ra p o d e r re ferir los an tig u o s m ito s sin in c u rr ir