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Chapter 3. System Design

3.4 SLAM Library

“E l Ba n q u e t e” de Platón inmortalizó la figura de Sócrates com o filósofo, es decir, com o h o m b re que intenta, al m ism o tiem p o p o r m e d io de su d is c u r s o y d e su m o d o de vida, a c e r c a r s e y h a c e r q ue se a c e rq u e n los d em ás a esta m a n e r a de ser, a este estad o ontológico tra sc e n d e n te que es la s abid u ría. La filoso­ fía de P lató n , y d e s p u é s de ella to d as las filosofías d e la A n­ tig ü e d a d , a u n las m á s le jan as del p la to n is m o , te n d r á n pues érTcom ún esta p a r tic u la r id a d de v in c u la r e s tr e c h a m e n te , en esta perspectiva, el discurso y el m o d o de vida filosóficos.

La f i l o s o f í a c o m o f o r m a d e v id a

EN LA ACADEMIA DE PLATÓN El proyecto educador

De n u ev o te n e m o s q u e volver al e s tr e c h o lazo q u e v in cu la a S ó crates y Eros, el filósofo y el am o r, en el B anquete de Pla­ tón. E n él a p a re c e en efecto el a m o r, no sólo c o m o deseo de lo que es sabio y de lo que es bello, sino com o deseo de fecun­ didad, es decir, de in m o rtalizarse produciendo. Dicho de otra m a n era, el a m o r es crea d o r y fecundo. Hay dos fecundidades, d ic e D io ti m a , 1 la del c u e r p o y la del alm a. A quellos cu y a fe­ c u n d i d a d resid e en el c u e r p o b u s c a n in m o r ta liz a rs e e n g e n ­ d r a n d o hijos, y aq u ello s cu y a f e c u n d id a d m o r a en el a lm a in ten ta n la in m o rtalid ad en u n a obra de la inteligencia, ya sea literaria o técnica. Pero la fo rm a m ás elevada de inteligencia es el d o m in io de sí m ism o y la justicia, y se ejerce en la o rg a­ n iz a c ió n de las ciu d a d e s o de o tras in stitu cio n es. V arios h is ­ to r ia d o r e s vieron en ello, en esta m e n c ió n de las " in s titu ­ cio n e s ”, u n a a lu s ió n a la fu n d a c ió n p o r Platón de su escuela

1 Banquete, 208 e.

68 LA FILOSOFÍA COMO MODO DE VIDA

pues, en las siguientes líneas, claram e n te d a a e n te n d e r q u e la fecu n d id ad de la que quiere h a b la r es la de u n educador, que, a s e m e ja n z a de Eros, hijo de P oros, e s tá "lleno de r e c u r s o s ” (euporei), "tiene al p u n to a b u n d a n c ia s de r a z o n a m ie n to s s o ­ b re la virtud, so b re cóm o debe s e r el h o m b r e b u e n o y lo q u e debe p r a c tic a r ”.2 E n el F.edro, P lató n h a b la r á de “s e m b r a r los espíritus" y dirá:

más excelente es ocuparse con seriedad de esas cosas, cuando alguien, haciendo uso de la dialéctica y buscando un alma adecuada, planta y siembra palabras con fundamento, capaces de ayudarse a sí mismas y a quienes las planta, y que no son estériles, sino por­ tadoras de simientes de las que surgen otras palabras que, en otros caracteres, son canales por donde se transmite, en todo tiempo, esa semilla inmortal, que da felicidad al que la posee en el grado más alto posible para el hombre.3

L. R o b in 4 r e s u m i ó estos te m a s p la tó n ic o s de la s ig u ie n te m anera:

El alma fecunda no puede fecundar y fructificar más que me­ diante su comercio con otra alma, en la cual se habrán reconocido las cualidades necesarias; y este comercio no puede instituirse más que por la palabra viva, por la conversación diaria que su­ pone una vida común, organizada con vistas a fines espirituales y para un porvenir indefinido, en resumen una escuela filosófica, tal cual Platón había concebido la suya, en su estado presente y por la continuidad de la tradición.

D e s c u b rim o s pues o tro a s p ecto cap ital de la n u ev a d e fin i­ ción de la filosofía q u e p ro p o n e P la tó n en el Banquete, y que m a r c a r á d e m a n e r a d efinitiv a la vida filosófica d e la A n ti­ g ü ed ad . La filosofía no p u ed e llevarse a cab o m á s q u e p o r la c o m u n id a d de vida y el diálogo entre m a estro s y discípulos en el seno de u n a escuela. Varios siglos después. S én eca5 alab ará de nuevo la im p o rtan c ia filosófica de la vida en com ún:

2 Banquete, 209 b-c. J Fedro, 211 a.

J L. Robin. nota, en Platón, Banquete, París, 1981 ( I a ed., J929), p. x c i i. ' Séneca, Epistulae morales ad Lucilium , 6, 6.

PLATÓN Y LA ACADEMIA 69

L a viva v o z y la c o n v i v e n c i a te s e r á n m á s ú ti l e s q u e la p a l a b r a escrita; es p r e c is o q u e v e n g a s a m i p re se n c ia : p r i m e r o , p o r q u e los h o m b r e s se f ía n m á s d e la v is ta q u e del o íd o ; lu e g o , p o r q u e el c a m i n o es la r g o a tr a v é s d e lo s p r e c e p t o s , b re v e y efic a z a tra v é s de los eje m plos. Cleantes, el estoico, n o h u b ie s e im ita d o a Z e n ó n si ta n sólo le h u b ie s e e s c u c h a d o : p a rtic ip ó en s u vida, p e n e t r ó e n s u s se c re to s , e x a m i n ó si vivía s e g ú n su s n o r m a s . P la tó n , A ristó te le s y t o d a la p l é y a d e d e s a b i o s q u e h a b í a de t o m a r r u m b o s o p u e s t o s , a p r o v e c h a r o n m á s d e la c o n d u c t a q u e d e las e n s e ñ a n z a s de S ó c r a te s ; a M e t r o d o r o , H e r m a r c o y P o lie n o n o les h iz o h o m b r e s p re s tig io s o s la escuela , sin o la i n t i m i d a d co n E p ic u ro .

Es cierto, h a b r e m o s de repetirlo, que P latón no es el único, en esa época, en f u n d a r u n a institución esco lar c o n sag rad a a la ed u ca ció n filosófica. Otros discípulos de Sócrates, Antíste- nes, E u c lid es de M egara, Aristipo de Cirene, o u n p e rs o n a je c o m o Isó c ra te s, lo h a r á n al m is m o tie m p o q u e él, p ero la A cadem ia de P la tó n te n d rá u n a co n sid erab le re so n an cia ta n ­ to en su ép o ca c o m o p a ra la posteridad, p o r la calidad de sus m ie m b ro s y la p erfección de su organizació n. E n to d a la his­ to ria d e la filosofía u lt e r io r e n c o n t r a r e m o s el r e c u e r d o y la im ita c ió n de esta in s titu c ió n y de las d is c u s io n e s y d e b a te s que tu v ie ro n lu g a r en ella.6 "A cadem ia ', p o r q u e las a c tiv i­ dades de la escuela se llevaban a cabo en salas de reu n ió n que se e n c o n tr a b a n en u n g im n asio de los alrededores de Atenas, lla m a d o p r e c i s a m e n t e la A cad em ia, y p o rq u e P lató n h a b í a ad q u irid o , cerca de ese gim nasio, u n a p e q u e ñ a p ro p ie d a d en la q u e los m ie m b r o s de la esc u e la se p o d ía n r e u n i r o h a s ta vivir en c o m ú n .7

Sócrates y Pitágoras

Los antiguos decían q u e la originalidad de P latón consistí a en el h ech o de que, en cierto modo, h ab ía realizado u n a síntesis e n tr e S ó crates, a q u ie n co n o ció en Atenas, y el p itag o rism o ,

6 Cf. la im p o r t a n t e o b r a de H.-J. K rä m e r, P latonism us u n d hellenistische

Philosophie, Berlin, 1971.

7 Cf. M.-F- Billot, "Académie", en Dictionnaire des philosophes antiques, ed. R. Goulet, t. i, Paris, 1994, pp. 693-789.

70 LA FILOSOFÍA COMO MODO DE VIDA

q u e h a b r í a c o n o c id o d u r a n t e su p r i m e r viaje a S icilia.8 De S ó c r a te s h a b r í a re c ib id o el m é to d o del diálo g o, la iro n ía, el in te ré s d irig id o h a c ia los p r o b le m a s de la c o n d u c c ió n de la vida; de P i t á g o r a s h a b ría h e r e d a d o la idea de u n a fo rm ac ió n p o r las m a te m á tic a s y de u n a posible aplicación de estas cien­ cias al c o n o c im ie n to de la n a tu r a le z a , la elevació n del p e n ­ s a m ie n to , el ideal de u n a c o m u n id a d de vida e n tr e filósofos. Es in d isc u tib le q u e P lató n co n oció a alg u n o s pitagóricos: de hecho, los p o n e en escena en sus diálogos. Pero, d e b id o a las in c e rtid u m b re s de n uestro s co n o cim ien to s ace rca del p itago ­ ris m o antiguo, no p od em o s definir con ex actitu d el papel del p itag o rism o en la form ación de Platón. E n to d o caso, u n a co­ sa es cierta, y es que, en la R ep ú b lica, 9 P la tó n h ace el elogio d e P itá g o r a s d ic ie n d o que fue a m a d o p o r q u e p r o p u s o a los h o m b r e s y a las g en eracio n es fu tu ras u n a "vía", u n a regla de vida lla m a d a “p itag ó ric a", que d is tin g u e de los d e m á s h o m ­ b res a q u ie n e s la p r a c tic a n y q u e a ú n existía en la ép o c a de P la tó n . E n efecto, las c o m u n id a d e s p ita g ó ric a s d e s e m p e ñ a ­ ro n u n im p o r ta n t e papel po lítico en las c iu d a d e s del s u r de Ita lia y de Sicilia. P o d e m o s c r e e r le g ítim a m e n te q ue la f u n ­ dación de la A cadem ia fue inspirada tan to p o r el m odelo de la f o rm a de v id a s o c r á tic a c o m o p o r el de la f o r m a de vida p i ­ tagórica, a u n si no p od em o s definir con certeza las c a ra c te rís ­ ticas de esta ú ltim a .10

La intención política

La in te n c ió n inicial de P lató n es política: cree en la p o sib ili­ d a d de c a m b i a r la vida p o lítica p o r m e d io d e la e d u c a c ió n filosófica de los h o m b re s que son influyentes en la ciudad. El te s t im o n i o a u to b io g r á f ic o q u e d a P lató n en la Carta vil m e ­ re c e que se le p re s te aten ció n . R e la ta cóm o, en su ju v e n tu d , q u e ría , a s e m e ja n z a de los d e m á s jóvenes, o c u p a r s e de los

3 P or ejem plo, Dicearco, e n P lutarco, Propósitos de m esa, vin, 2, 719 a; C icerón, La R epública, i, 15-16: De fin ib u s b o n o ru m ei m a lo ru m , v, 86-87; A gustín, La c iu d a d de Dios, viii, 4; N'umeni, fr. 24, ed. y trad. des Places; Proclo, Comentario sobre el Timeo, t. i, 7, 24 Diehl, p. 32, trad. Festugiére.

v República, 600 b.

PLATÓN Y LA ACADEMIA 71 asu n to s de la ciudad; có m o descu brió entonces, p o r la m u e rte de Sócrates y p o r su ex am en de las leyes y de las co stu m b res, h a s ta qué p u n to era difícil a d m i n i s t r a r de m a n e r a c o r r e c ta los asu n to s de la ciudad, p a ra reco n o cer p o r últim o que todas las c iu d a d e s e x isten te s en su época, to d as sin excepción, tenían un rég im en político malo. P o r ello, dice, "me vi irresis­ tib le m e n te llevado a a la b a r la v e rd a d e ra filosofía y a p r o c la ­ m a r que, sólo a su luz, se p u ed e reco n o c er en d o n d e radica la ju s tic ia en la vida p ú b lic a y en la vida p r iv a d a ”. P ero no se tr a ta s im p le m e n te de ex ten d erse h a b la n d o de abstrac cio n e s. P a ra P lató n , su "tarea de filósofo” co n s is te en a c tu a r . Si in ­ te n ta d e s e m p e ñ a r u n p ap el p o lítico en S ir a c u s a es p a r a no p a s a r a sus pro p io s ojos "por u n h o m b re de labia" incapaz de a c t u a r . 11 E n efecto, m u c h o s a lu m n o s de la A cadem ia d e s e m ­ p eñ a ro n u n papel político en diferentes ciudades, fuese com o consejeros de so b eran o s, o c o m o legisladores, o c o m o o p o s i­ to res a la t i r a n í a . 12 Los so fistas p r e te n d ie r o n f o r m a r a los jóvenes p a ra la vida política, pero Platón quiso hacerlo d o tá n ­ dolos de u n s ab er m uy su p e rio r al que los sofistas podían p ro ­ porcionarles, de u n sab er que, p o r u n a parte, se fundam entaría en u n rig u ro so m éto d o racional, y que, p o r la otra, con fo rm e a la concepción socrática, sería inseparable del a m o r del bien y de la tra n sfo rm a ció n interior del hom bre. No sólo quiso for­ m a r hábiles h o m b re s de E sta d o , sino h o m b re s. P a ra llevar a c a b o su in te n c ió n política, P la tó n d e b e pues h a c e r u n in ­ m en so rodeo, es decir, c re a r u n a c o m u n id a d intelectual y es­ piritual que se en ca rg ará de form ar, tom ándose el tiem p o que sea necesario, a h o m b re s nuevos. E n realidad, en este in m e n ­ so rodeo, las intenciones políticas corren el riesgo de ser olvi­ d a d a s , y q u iz ás no sea in d ife re n te o ír d ecir a P lató n que h a b r á que o b lig a r a los filósofos a s e r rey es.13 Al d e s c rib ir la vida en la A cad em ia de P lató n, D ic e a r c o ,14 el d is c íp u lo de A ristóteles, in siste en el h e c h o de q u e su s m ie m b r o s vivían co m o u n a co m u n id a d de h o m b re s libres e iguales, en la medi-

l! Carta vti, 328 b-329 c., trad. Brisson.

12 J. P. Lynch, op. cu., p. 59, n. 32 (bibliografía); M. Isnardi Parente, L'eredità

di Platone nell'Accademia antica. Milán, 1989, pp. 63 y ss.

13 República, 519 d.

72 LA FILOSOFÍA COMO MODO DE VIDA

d a en que asp irab a n igualmente a la virtud y a la investigación en c o m ú n . P la tó n no c o b r a b a h o n o r a r io s a sus a lu m n o s , en v ir tu d del p r in c ip io d e q u e h ay q u e d a r lo q u e es igual a los que son iguales. Según los p rincip io s políticos platónicos, se tr a ta b a a d e m á s de u n a ig u a ld ad g e o m é tr i c a ,15 d a n d o a c a d a u n o co n fo rm e a sus m éritos y a sus necesidades. E n trev em o s a q u í que, p e r s u a d id o de q u e el h o m b r e n o p u e d e vivir c o m o h o m b r e m á s q u e en u n a c iu d a d p erfec ta. P la tó n q u e ría , en e s p e r a d e q u e é s ta se re a liz a r a , h a c e r vivir a s u s d is c íp u lo s en las c o n d ic io n e s de u n a c iu d a d ideal y d e s e a b a , a falta de p o d e r g o b e r n a r u n a ciudad, que p u d ie se n re g ir su p ro p io yo co n fo rm e a las n o rm a s de esta ciu d ad ideal.16 Es lo q u e in ten ­ ta r á h acer, ta m b ié n , la m a y o r ía de las e scu elas filosóficas p o s te rio re s.17

E n e s p e r a de p o d e r d e d ic a rs e a u n a a c tiv id a d po lítica, los m ie m b r o s de la escuela se c o n s a g ra rá n a u n a vida d e s in te r e ­ s ad a de estudio y de práctica espiritual. A sem ejanza, pues, de los so fistas, p ero p o r o tr a s razo n e s, P la tó n c r e a u n m e d io ed u cativ o relativ am en te s e p a ra d o de la ciud ad . S ócrates, p o r su parte, tenía otro concepto de la educación. A diferencia de los so fistas, c o n s id e r a b a q u e la e d u c a c ió n d e b ía h a c e rs e no en u n m ed io artificial, sino, co m o sucedía en la an tig u a tra d i­ ción, m ezclánd o se a la vida de la ciudad. Pero, p recisam ente, lo que cara c te riz a b a la pedagogía de Sócrates es q ue a trib u ía u n a i m p o r ta n c ia c a p ital al c o n ta c to viviente e n tr e los h o m ­ bres, y e sta vez P lató n c o m p a r te esta co nvicción. E n c o n t r a ­ m os en él esta co n ce p ció n so crática de la ed u ca ció n p o r m e ­ d io del c o n ta c to vivo y del am o r, pero, c o m o lo dijo L y n c h ,18 en c ie rta m a n e r a P lató n la institu cio n alizó en su escuela. La ed u ca ció n se h a rá en el seno de u n a co m u n id ad , de u n grupo, de u n círc u lo de am igos, d o n d e r e i n a r á u n a a t m ó s f e r a de a m o r sublim ado.

" Leyes, vi, 756 e-758 a. 16 República, 592 b.

17 Cf. B. F rischer, The Sculpted Word. E p ic u rea n ism a n d Philosophical

Recruitm ent in Ancient Greece, University of California Press, 1982, p. 63

PLATÓN Y LA ACADEMIA 73 Formación e investigación en la Academia

Conocemos poco el fu n c io n a m ie n to institucional de la Acade­ m ia .'9 Como h ab re m o s de repetirlo, no hay que representarse, cual se h a h e c h o m u y a m e n u d o , la A cadem ia, ni, ta m p o c o , las d em ás e scu elas filosóficas de Atenas, c o m o a s o ciacio n e s religiosas, confraternidades de las Musas. Su fundación corres­ p o n d e sólo al u s o del d e r e c h o de a s o c ia c ió n vigente en A te­ nas.20 H abía, al parecer, dos categorías de m iembros: p o r u n a parte los de m ás edad, investigadores y profesores; p o r la o tra los más jóvenes, los e s tu d ia n te s. E sto s últim os, p o r ejemplo, p arecen h a b e r d e s e m p e ñ a d o , p o r m e d io de sus votos, u n p a ­ pel decisivo en la elección de J e n ó crates, el s e g u n d o s u c e s o r de P lató n . El p r i m e r s u ceso r, E s p e u s ip o , p a re c e h a b e r sido elegido p o r el pro p io Platón. E n la Antigüedad se co n sid e ra b a significativo el h ech o d e que dos m ujeres, Axiotea y Lastenia, h a y a n sid o a l u m n a s de P la tó n y de E s p eu sip o . A xiotea,21 se decía, h a b ía llevado sin vergüenza el simple m a n to de los filó­ sofos, lo q u e p e r m ite s u p o n e r q u e los m ie m b r o s de la A ca­ dem ia, c o m o o tro s filósofos de ia época, a p re c ia b a n ese traje q u e los d is tin g u ía de los d em ás. P o d e m o s p en s a r, a ju z g a r p o r las tr a d ic io n e s p o s te r io r e s de la escuela, que, a p a r t e de las d iscu sio nes, de los c u rso s y de los trab ajo s científicos, su o rg an izació n celebraba algunas com idas en co m ú n .22

Ya h e m o s h a b lad o de los m iem b ro s de m ás edad, q u e e s ta ­ b a n a s o c ia d o s a P lató n en la in d a g a c ió n y en la e n s e ñ a n z a . C o n o c e m o s a cierto n ú m e r o de ellos: E sp eu sipo , J e n ó crates, p e ro t a m b ié n E u d o x io de Cnido, H eráclid es del P o n to , Aris­ tóteles. E ste últim o, p o r ejemplo, p e rm an eció en la A cadem ia 20 a ñ o s a títu lo de d iscíp u lo , luego de pro fesor. Se tr a ta de filósofos y d e s ab io s, s o b r e to d o d e a s tr ó n o m o s y de m a ­ te m á tic o s de alta categoría, co m o Eudoxio y Teeteto. N u estra r e p r e s e n t a c i ó n de la A ca d e m ia y del p ap el que en ella te n ía P la tó n sería quizás m u y dife re n te si se h u b ie r a n co n s e rv a d o las o b r a s de Espeusipo, de Jenócrates y de Eudoxio.

S o b r e este tema, cf. J. P. Lynch, op. cit, pp. 54-63 y 93.

20 Cf. infra, pp. 112-113.

-1 K. Gaiser, Phüodems Académica, p. 154

74 LA FILOSOFÍA COMO MODO DE VIDA

La g e o m e tr ía y las d e m á s ciencias m a te m á tic a s te n ía n u n papel de p rim era im p o rtan c ia en la formación. Pero no rep re­ s e n t a b a n m ás q u e u n a p r im e r a e ta p a en la fo r m a c ió n del f u tu r o filósofo. Se las p r a c tic a b a en la e scu ela de P la tó n de m a n e r a to talm en te desinteresada, sin n in g u n a co n sid eración de u tilid a d ,23 m as, d e s tin a d a s a p u r if ic a r la m e n te de las r e ­ p r e s e n ta c io n e s sensibles, te n ía n ta m b ié n u n a fin a lid a d é ti­ ca .24 La g e o m e tr ía n o sólo e ra o bje to de u n a e n s e ñ a n z a ele­ m ental, sino de p ro fu n d as investigaciones. De hecho, es en la A c a d e m ia d o n d e las m a te m á tic a s c o n o c ie r o n su v e rd a d e ro n a c im ie n to . Es allí d o n d e se d e s c u b r ió la a x io m á tic a m a t e ­ m á tic a q u e fo r m u la las p re s u p o s ic io n e s de los r a z o n a m i e n ­ tos: princ ip io s, axiom as, definiciones, p o stulad o s, y p o n e en o rd en los teorem as deduciéndolos unos de otros. Todos estos trabajo s d esem b o carán , m edio siglo después, en la redacción p o r Euclides de sus fam osos Elem entos.25

Según la República,26 los futuros filósofos no deberán ejerci­ tarse en la dialéctica m ás que cu an d o h a y a n a d q u irid o cierta m a d u r e z , y lo h a r á n d u r a n t e cin co años, de los 30 a los 35. No sa b e m o s si P latón aplicaba esta regla en su escuela. Pero, n ecesariam en te, los ejercicios dialécticos te n ían su lu g a r en la e n s e ñ a n z a de la A cadem ia. La d ialéctica era, en la ép o c a de P lató n , u n a técn ica de d iscu sió n s o m e tid a a reglas precisas. Se p la n te a b a u n a "tesis”, es decir, u n a pro p osició n in terro g a­ tiva del tipo: ¿puede enseñarse la virtud? Uno de los dos in ter­ locutores a ta c a b a la tesis, el otro la defendía. El p rim ero a t a ­ c a b a in te r r o g a n d o , es decir, h a c ie n d o al d e fe n s o r d e la tesis p re g u n ta s h á b ilm e n te elegidas p a r a obligarlo a d a r u n a s re s ­ p u e s ta s tales que se viera llevado a a d m iti r la c o n tr a d ic to r ia tesis q u e preten d ía defender. El in te rro g a d o r no sostenía u n a tesis. P o r eso S ó crates solía d e s e m p e ñ a r el papel del interro- g a d o r, c o m o lo dice Aristóteles: "S ó crates s ie m p r e te n ía el p ap el del in t e r r o g a d o r y ja m á s el de q u ie n c o n te s ta b a , pues

u República, 522-534.

24 República, 526 e; Plutarco, Propósitos de mesa, viii, 718 e-f, cf. I. Hadot,

Arts libéraux..., p. 98.

Cf. F. L asserre , La naissance des m a th ém a tiq u es á l'époque de Platón,

Friburgo-París, 1990. 25 República, 539 d-e.

PLATÓN Y LA ACADEMIA 75 c o n fesab a no s a b e r n a d a " .27 La dialéctica no sólo e n s e ñ a b a a a ta c a r , es d ecir, a c o n d u c i r a t i n a d a m e n t e in te r r o g a to r io s , sin o ta m b ié n a c o n t e s ta r d e s b a r a ta n d o las tr a m p a s del i n t e ­ rro g ad or. La d iscu sió n de u n a tesis será la fo rm a h ab itu al de la en señ an z a,28 h a s ta el siglo i a.C.

La fo rm a c ió n dialéctica era a b s o lu ta m e n te necesaria, en la m e d id a en q ue los discíp u lo s de P lató n e s ta b a n d es tin a d o s a d e s e m p e ñ a r u n p a p e l en la c iu d a d . E n u n a civilización q u e te n ía c o m o c e n tro el d iscu rso político, h ab ía que f o r m a r a la g en te p a r a u n p e rfe c to d o m in io de la p a la b r a y del r a z o ­ n a m ie n to . A los ojos de P la tó n de h e c h o e r a p eligrosa, pues a m e n a z a b a co n h a c e r cree r a los jóvenes que se p o d ía d efen ­ d e r o a ta c a r cu alq uier posición. P o r eso la dialéctica platónica no es u n ejercicio p u r a m e n te lógico. Es más bien un ejercicio e s p ir itu a l que exige d e los in te r lo c u to r e s u n a ascesis, u n a tr a n s f o r m a c ió n de ellos m ism o s. No se tr a ta de u n a lu c h a entre dos individuos en la que el más hábil im p o n d rá su p u n to de vista, sin o de u n esfu erzo h e c h o en c o m ú n p o r dos in t e r ­ lo c u to re s que q u ie r e n e s ta r de a c u e r d o co n las exig en cias ra c io n a le s del d is c u r s o sen sato , del logos. O p o n ie n d o su m éto d o al de los erísticos co ntem p o rán e o s que p racticab an la controversia p o r sí m ism a, P lató n 29 escribe:

Y si, e n c a m b i o , c o m o a h o r a t ú y yo, f u e s e n a m i g o s lo s q u e q u i e - ' r e n d i s c u t i r e n t r e sí, s e r í a n e c e s a r i o e n t o n c e s c o n t e s t a r d e m a n e r a m á s c a l m a y c o n d u c e n t e a la d i s c u s i ó n . P e r o , ta l vez, lo m á s c o n ­ d u c e n t e a la d i s c u s i ó n c o n s i s t a n o s ó l o e n c o n t e s t a r la v e r d a d , s i n o t a m b i é n c o n p a l a b r a s q u e q u i e n p r e g u n t a a d m i t a c o n o c e r . Un v e rd a d e ro diálogo no es posible m ás que si v e r d a d e r a ­ m e n te se q u ie re dialogar. G racias a este a c u e rd o en tre in te r­ locutores, ren o v a d o en c a d a e ta p a de la discusión, no es u n o de los in te r lo c u to r e s el que im p o n e su v e rd a d al otro; m uy p o r el c o n tr a r io , el d iá lo g o les e n s e ñ a a p o n e rs e en el lu g a r del otro, luego a s o b re p a s a r su propio p u n to de vista. G racias

i: Aristóteles, Refut. Sofist., 183 b 7.

2i Cf. infra, pp. 118-119 y véase P. Hadot, "Philosophie, Díalectique, Rhétori-

cue dans l'Antiquíté", Studia Philosophica, t. 39, 1980, pp. 139-166.

76 LA FILOSOFÍA COMO MODO DE VIDA

a su sincero esfuerzo, los interlocutores d escu b ren p o r sí m is­ mos, y en sí m ism os, u n a verdad in d e p en d ien te de ellos, en la m e d id a en que se s o m eten a u n a a u to r id a d su p erio r, el logos. Como en toda la filosofía antigua, la filosofía consiste aquí en el m o v im ien to p o r m edio del cual el individuo se tra scien d e en algo que lo supera, p ara Platón, en el logos, en el discurso que

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