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Influence of Different Luting Protocols on the Bond Strength of Fiber Posts to Root Dentin

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(1)

Influência de Diferentes Protocolos de Cimentação na Resistência

de União de Pinos de Fibra à Dentina Radicular

Influence of Different Luting Protocols on the Bond Strength of

Fiber Posts to Root Dentin

Eurípedes Kaizo ARIKI1, Mariana C. GONÇALVES1, Rodrigo Othávio de Assunção SOUZA2, Sandra Costa ZAMBONI1, Sarina Maciel Braga PEREIRA3, Fernando Eidi TAKAHASHI4, Marco Antônio BOTTINO4

Objetivo: Avaliar a influência de diferentes protocolos de cimentação na resistência de união ao push-out de pinos de fibra cimentados adesivamente à dentina radicular bovina.

Método: Os canais de 40 dentes bovinos (comprimento: 16 mm) foram preparados (profundidade: 12 mm) utilizando brocas de preparo (N0 3, RTD). Cada canal teve sua região apical (4 mm comprimento) incluídas em resina acrílica e as raízes foram divididas em quatro grupos, de acordo com os procedimentos de cimentação(n=10): G1-sistema adesivo de frascos múltiplos com condicionamento total + pino de fibra no 3; G2-sistema adesivo de frascos múltiplos com condicionamento total + pino de fibra no 1; G3-sistema adesivo de frascos múltiplos com condicionamento total + pino de fibra no 1 + pinos de fibra acessórios; G4-Pinos de fibra no 3 sem condicionamento total nem procedimentos de união na dentina. Com exceção do grupo G4, a dentina radicular foi tratada com sistema adesivo de frascos múltiplos com condicionamento total (All Bond 2/Bisco). O sistema adesivo foi aplicado utilizando microbrush (Dentsply) e o excesso do material foi removido com pontas de papel absorventes. Os pinos de fibra de quartzo (Macro-Lock Illusion/RTD) foram cimentados à dentina radicular utilizando um cimento resinoso dual (Duolink/Bisco) e, em seguida, foram armazenados em água destilada previamente ao teste mecânico (24 h, 37°C). Cada espécime foi cortada em quatro fatias (1,8 mm de espessura), as quais foram submetidas ao ensaio de push-out em máquina de ensaio universal (1mm/min). Os dados (MPa) foram analisados estatisticamente pela análise de variância (ANOVA-1 fator). Resultados: Os valores médios (±DP) obtidos após o ensaio de push-out foram: G1- 5,4±1,3 MPa; G2- 4,2±2,4 MPa; G3-4,6±1,5 MPa; G4-3,3±1,7 MPa. Anova demonstrou não haver significância estatística entre os grupos (p=0,0966). A hipótese foi rejeitada.

Conclusão: A resistência de união de pinos de fibra à dentina radicular não foi influenciada pelos protocolos de cimentação avaliados.

Dentina; Cimentação; Resistência ao Cisalhamento.

Objective: To evaluate the influence of different luting protocols on the push-out bond strength of fiber posts cemented to bovine root dentin. Method: Forty bovine root canals (length: 16 mm) were prepared up to 12 mm using #3 (RTD) preparation burs. Each canal had its apical 4 mm embedded in acrylic resin and the roots were assigned to four groups (n=10), according to the cementation procedures: G1: etch-and-rinse bottle adhesive system + #3 fiber post; G2: etch-and-rinse multi-bottle adhesive system + #1 fiber post; G3: etch-and-rinse multi-multi-bottle adhesive system + #1 fiber post + accessory fiber posts; G4: #3 fiber post without etching and bonding procedures to dentin. Except for G4, root dentin was treated with the etch-and-rinse multi-bottle adhesive system All Bond 2 (Bisco). The adhesive system was applied with a microbrush (Dentsply) and excess material was removed with absorbent paper points. The quartz fiber posts (Macro-Lock Illusion/RTD) were cemented to the root dentin with a dual-cure resin cement (Duolink/Bisco) and were stored in distilled water (for 24 h at 37 °C) before the mechanical tests. Each sample was cut into four slices (1.8 mm thick) that were subjected to push-out tests in a universal testing machine (1 mm/min). The data (in MPa) were analyzed statistically by one-way ANOVA.

Results: The mean push-out bond strength values (±SD) were: G1: 5.4 ± 1.3 MPa; G2: 4.2 ± 2.4 MPa; G3: 4.6 ± 1.5 MPa and G4: 3.3 ± 1.7 MPa. One-way ANOVA showed no statistically significant differences among the groups. The tested hypothesis was discarded.

Conclusion: The push-out bond strength of fiber posts to root dentin was not influenced by the evaluated luting protocols.

Dentin; Cementation; Shear strength.

1

Cirurgião-dentista, São Paulo/SP, Brasil.

2

Professor Adjunto da Disciplina de Prótese Fixa do Departamento de Odontologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal/RN, Brasil.

3

Doutoranda em Odontologia Restauradora pelo Instituto de Ciência e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), São José dos Campos/SP, Brasil.

4

Professor Doutor da Disciplina de Prótese Fixa do Departamento de Materiais Odontológicos e Prótese, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), São José dos Campos/SP, Brasil.

RESUMO

ABSTRACT

(2)

Com o avanço nos últimos 25 anos das próteses metal free, e o desejo por restaurações estéticas pelos pacientes, ganhou popularidade o aumento no uso de pinos de fibra para restaurar dentes tratados endodonticamente. Esses pinos possuem propriedades estéticas satisfatórias1,2, adesão ao cimento resinoso3 e modo de elasticidade similar ao da dentina4,5, diminuindo a ocorrência de fratura radicular5,6.

Apesar de o uso de pinos de fibra apresentar alto percentual de sucesso clínico7,8, alguns fatores podem afetar negativamente os valores de resistência de união entre o pino de fibra e dentina radicular9, influenciando o desempenho clínico deste tipo de tratamento, como a contração de polimerização do cimento resinoso nos canais radiculares com desfavorável fator de configuração cavitária (fator c)10, dificuldade da polimerização do cimento dentro das áreas apicais11,12, geometria dos canais radiculares13, dificuldade de controlar a umidade dos canais radiculares14 e a quantidade e a qualidade da dentina coronária remanescente7. Com a intenção de aumentar a resistência de união da interface dentina/cimento, estudos têm pesquisado a influência de diferentes sistemas adesivos14,15 e cimentos resinosos16 para melhorar a resistência de união. Entretanto, diversos estudos têm questionado a real importância da técnica de condicionamento na resistência de união de pinos de fibra cimentados ao canal radicular17. De acordo com estudo anterior18, no qual foi avaliada a resistência de união ao push-out de pinos de fibra cimentados à dentina intrarradicular, a hibridização da dentina não melhorou significativamente a resistência de união.

Alguns sistemas de pinos também têm pinos de fibra acessórios, os quais possuem um diâmetro menor que os pinos principais. Esses pinos são indicados para serem cimentados juntos com os pinos principais em algumas áreas do preparo onde o canal radicular é mais largo do que do que o diâmetro do pino principal, onde

uma camada mais espessa de cimento pode levar à formação de bolhas, predispondo falhas na interface adesiva19. Alguns autores avaliaram a influência da espessura do cimento na resistência de união ao pull-out

de pinos de fibra cimentados à dentina radicular de dentes humanos e observaram que o aumento da espessura de cimento resinoso influencia negativamente a resistência de união desse conjunto20.

Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar a influência de diferentes protocolos de cimentação, na resistência de união de pinos de fibra cimentados à dentina intrarradicular bovina. A hipótese foi que a resistência de união é influenciada pelo protocolo de cimentação usado.

Os materiais, marca comercial, principal composição, número de lote e fabricante dos materiais utilizados para o experimento estão apresentados no Quadro 1.

Preparo do canal radicular

As porções coronária e cervical de 40 incisivos mandibulares bovinos foram seccionados para padronizar o tamanho das raízes em 16 mm. Os diâmetros coronários dos canais foram mensurados com um paquímetro digital (Starrett 727, Starret, Itu, Brazil). Aqueles que apresentaram diâmetros mais largos que 1.5 mm (pino n° 3) foram eliminados e substituídos por outro dente que possuía esse requisito.

Os canais radiculares foram preparados a uma profundidade de 12 mm, utilizando as brocas de preparo (N°3) de um sistema cônico de pinos de fibra reforçado por quartzo (Macro-Lock Post Illusion, RTD, Recherches Techniques Dentaires, Grenoble, France, N° 1: 0558707055, N° 3: 055890705), utilizando uma caneta de baixa rotação sob refrigeração.

Cada espécime (sp) foi incluído em um molde de

Quadro 1. Os materiais, marca comercial, principal composição, número de lote e fabricante dos materiais utilizados no presente estudo.

Materiais Nome

comercial Principal composição Número de lote Fabricante

Pino de fibra Macro- Lock Illusion

Fibras de quartzo : 60 % volume

Resina epóxica : 40 % volume

Nº 1: 0558707055

N0 3: 055890705 RTD, Geroble, France

Cimento Duolink

Bis-GMA, UDMA,TEGMA,

Glass filler # 0600003297 – base

# 0600003298 catalisador Bisco, Schaumburg, USA,

Adesivo All Bond 2 -

Primer A

NTG-GMA(2.1%), acetona,

etanol e água # 0600001516 Bisco, Schaumburg, USA,

Adesivo All Bond 2 –

Primer B

BPDM(24%), acetona, etanol

e fotoiniciador # 0600071516 Bisco, Schaumburg, USA,

Adesivo Pre-Bond

Resin

Bis-GMA, HEMA e Peróxido

de Benzoíla # 0600021516 Bisco, Schaumburg, USA,

INTRODUÇÃO

METODOLOGIA

Bis-GMA=Bis-phenol-A-glycidylmethacrylate, UDMA=Urethane dimethacrylate, TEGMA=Triethyleneglycol methacrylate and HEMA=2-hydroxyethyl methacrylate.; NTG-GMA:=Na-N-tolylglycine glycidylmethacrylate; BPDM= Biphenyl dimethacrylat.

(3)

silicone em formato de cilindro, preenchido com resina acrílica quimicamente ativada (Dencrilay, Dencril, Caieiras, Brasil). Os seguintes passos foram utilizados no processo de inclusão: a) a broca de preparo do sistema de pino foi colocada dentro do canal radicular preparado; b) o conjunto foi fixado em um paralelômetro modificado, com o longo eixo da broca, espécime e cilindro foram colocados paralelos entre si e ao eixo y; c) a resina acrílica foi preparada e colocada dentro do cilindro em cima da região apical (4 mm de comprimento) de cada raiz21.

Os 40 espécimes foram preparados e distribuídos em quatro grupos de acordo com os procedimentos de cimentação (n=10): G1 - adesivo de frascos múltiplos com condicionamento total + pino de fibra n°3; G2 - adesivo de frascos múltiplos com condicionamento total + pino de fibra n° 1; G3 - adesivo de múltiplos frascos com condicionamento total + pinos de fibra n° 1 + pinos de fibra acessórios (Macro-Lock Illusion, RTD, France); G4 - Pinos de fibra n° 3 sem condicionamento nem procedimentos de união.

No G3, foram utilizados dois pinos de fibra acessórios para cada amostra.

Cimentação do pino de fibra

A dentina radicular do G1, G2 e G3 foi tratada com sistema adesivo de múltiplos frascos com condicionamento total (All Bond 2®, Bisco, Schaumburg, USA; lote # 0600001516) como segue: 1) a dentina radicular foi condicionada com ácido fosfórico a 37% (FGM, Joinvile, Brasil, Lote #040707) por 15 segundos, lavada com 10 mL de água destilada utilizando uma seringa, com o excesso de água removido utilizando pontas de papel n0 80 (Endopoints, Rio de Janeiro, Brasil: Lote n0 012); 2) Primer A e Primer B (Sistema All Bond) foram misturados e aplicados à dentina radicular com um microbrush (KG Sorensen, São Paulo, Brasil: Lote #1803/05), secos com jatos de ar e, em seguida, o Pre-Bond aplicado (All Pre-Bond 2). O excesso dos materiais foi removido com pontas de papel n0 8022. A dentina intrarradicular dos espécimes no G4 não foi condicionada, nem aplicado o agente adesivo antes da cimentação do pino de fibra com o cimento resinoso.

A pasta base e a catalisadora do cimento resinoso dual DuoLink (Bisco, Schaumburg, USA, Lote n0 0600003297 [base] e n0 0600003298 [catalisador] foram misturadas. O cimento foi inserido no canal radicular com uma Lêntulo #40 (Dentsply/Maillefer, Ballaigues, Switzerland) e o pino de resina foi colocado no canal radicular. A polimerização foi realizada na região coronária por 40s (XL 3000, 3M/Espe, St. Paul, USA; intensidade de cor= 600 mW/cm2). Os espécimes foram armazenados em água destilada (37°C/24 h) (Figura 1).

Confecção do espécime e teste

push-out

Cada espécime foi fixado em uma base metálica de uma máquina de corte (LabCut 1010, Extec Corp., Enfield, USA), que foi utilizada para realização de cortes

perpendiculares dos espécimes ao longo do eixo radicular de cada amostra com um disco diamantado (Disco diamantado/ Microdont, Lote 40601.001 D-76/7, OG) sob refrigeração, em aproximadamente quatro fatias de 1.8 mm de espessura. A primeira fatia cervical (aproximadamente 1 mm) foi descartada, pelo excesso de cimento na região a fim de influenciar os resultados de resistência adesiva. Quatro outros espécimes secundários em disco foram obtidos.

Cada espécime secundário foi posicionado em um dispositivo metálico com uma abertura central (Ø=3 mm) maior do que o diâmetro do canal. A maior porção coronal da amostra foi colocada para baixo. Um cilindro metálico (Ø extremidade = 0,85 mm) foi utilizado para

produzir uma carga de direção apical à coronal no pino de resina para o teste de push-out. Com os espécimes incluídos na resina acrílica paralelos ao solo e os espécimes secundários foram seccionados perpendicularmente à raiz, os pinos de resina foram submetidos a uma pressão paralela ao longo do eixo radicular. O teste foi realizado em uma máquina de teste universal (EMIC, model DL-1000, São José dos Pinhais, Brasil) com uma velocidade de 1 mm/min.

A resistência de união() em MPa foi obtida com as fórmulas  = F/A em que, F = carga para a falha do espécime (N) e A = área de união (mm2). Para calcular a área, a seguinte fórmula foi utilizada, considerando a área lateral de uma figura geométrica cônica que apresenta um cone divergente com bases paralelas: A = p

* g * (R1 + R2) em que, p = 3.14, g = geratriz cônica, R1 =

pequena base raio, R2 = grande base raio.Para calcular g (geratriz cônica), foi utilizada a seguinte fórmula: g=(h2+[R2-R1]2)1/2, em que h = seção da altura. R1 e R2 foram obtidos pela mensuração do diâmetro interno da menor e maior base, respectivamente, correspondendo ao diâmetro interno entre as paredes do canal. Esses diâmetros e h foram medidos utilizando um calibrador digital (Starrett 727, Starrett, Itu, Brasil).

Avaliação do tipo de falha

Todas as amostras testadas foram analisadas em microscópio Ótico Digital (aumento de x100) (Mitutoyo, Measuring Microscope MFA – Series 5051H, Suzhavo, Japão) para avaliar o tipo de fratura dos espécimes. A classificação das falhas foi indicada como segue: A) fratura coesiva do pino de fibra; B) fratura coesiva da dentina radicular; C) fratura coesiva da camada de cimento; D) falha adesiva entre cimento resinoso e dentina radicular; E) falha adesiva entre cimento resinoso e pino de fibra; F) fratura mista (fratura coesiva do cimento combinado com falha adesiva).

Algumas amostras foram selecionadas para análise em microscópio eletrônico de varredura (JEOL-JSM-5400, Jeol Ltd, Tokyo, Japão) (35x a 5.000x de aumento). Estes espécimes foram fixados em um suporte de alumínio usando uma fita adesiva dupla face de carbono e foram cobertos com um metal de ouro-paládio (Polaron SC 7620 Sputter Coater, Quorum Technologies, Newhaven, UK) (tempo: 130 s, corrente 10-15 mA, vácuo

(4)

Figura 1. Procedimentos para cimentação dos pinos de fibra e produção das amostras para o ensaio de push-out: a) remoção do ácido fosfórico com água destilada; b) remoção do excesso de água com pontas de papel absorvente; c) aplicação do primer; d) aplicação do adesivo; e) remoção do excesso de adesivo com pontas de papel; f) inserção do cimento com broca lentulo; g) fotopolimerização do cimento e g) amostras em forma de disco após corte (esquerda para direita).

130 mTorr, taxa de cobertura :3.5 mm/min, aproximadamente de Pd-Au de 80 A°).

Análise estatística

A média dos valores de resistência de união de cada espécime foi calculada. Considerando que cada grupo foi composto por dez espécimes, dez valores de resistência de união de cada grupo (n=10) foram utilizados para a análise de variância (Anova -1 fator).

As médias e desvios-padrão para os grupos experimentais obtidos com o teste de push-out foram: G1- 5.4±1.3 MPa; G2- 4.2±2.4 MPa; G3- 4.6±1.5 MPa; G4- 3.3±1.7 MPa (Tabela 1 e Figura 2).

Tabela 1, Valores (Mpa) das médias (±DP) da resistência de

união ao push-out.

Grupos experimentais Média (DP)

Grupo I 5.4±1.3

Grupo 2 4.2±2.4

Grupo 3 4.6±1.5

Grupo 4 3.3±1.7

Média (DP) 4.4±1.9

O resultado da Anova revelou que a resistência de união não foi estatisticamente significativamente (p=0.0966>0.05) entre os grupos (Tabela 2). Consequentemente, a hipótese de trabalho foi rejeitada.

A análise dos tipos de falha revelou que 58% das fraturas ocorreram na interface cimento-dentina (“adesiva”, Tipo D), 21% ocorreram na interface cimento-pino (“adesiva”, Tipo E) e 21% foram mistas (Tipo F). O padrão de falha não foi similar para todos os grupos. Os grupos G2 e G3 apresentaram maior quantidade de falhas adesivas entre a interface pino/cimento (Tipo E) do que outros grupos.

Os percentuais dos tipos de fratura estão apresentados na Tabela 3 e as imagens que representam as falhas mistas estão apresentadas na Figura 3a-b.

Tabela 2. Resultados da Análise de Variância (1-fator)

para a resistência de união ao push-out de pinos de

fibra cimentados à dentina radicular.

Efeito GL SQ QM F P

Fator 3 22.247 7.41559 2.27 0.0966*

Resíduo 36 117.422 3.26171

Total 39 139.668

* Não houve diferença estatística significante no nível de 5%

Tabela 3. A distribuição dos tipos de falhas em porcentagem

(%) após o ensaio de push-out*.

Grupos experim. No de dentes No de amostras testadas Tipo A B C D E F G1 10 40 A(0) B(0) C(0) D(70) E(5) F(25) G2 10 40 A(0) B(0) C(0) D(51.5) E(42.5 ) F (5) G3 10 40 A(0) B(0) C(0) D(52.5) E(37.5) F(10) G4 10 40 A(0) B(0) C(0) D(57.5) E(0) F(42.5)

*Tipo A) fratura coesiva do pino de fibra; B) fratura coesiva da dentina radicular; C) fratura coesiva da camada de cimento; D) falha adesiva entre cimento resinoso e dentina radicular; E) falha adesiva entre cimento resinoso e pino de fibra; F) fratura mista (fratura coesiva do cimento combinado com falha adesiva).

Métodos utilizados para avaliar a retenção de pinos endodônticos cimentados incluem testes pull-out e

push-out. O teste de pull-out permite analisar a resistência ao deslocamento de pinos cimentados ao canal radicular23,24, enquanto também mede a influência da interface pino/cimento/dentina através de todo canal radicular. Alternativamente, o teste de push-out é utilizado para medir a resistência de união nas regiões do canal radicular25,26 (cervical, médio e apical) além de isolar o efeito da fricção na resistência de união, que não é permitido com o teste de pull-out. Por este motivo o ensaio de push-out foi selecionado para este estudo.

RESULTADOS

(5)

Figura 2. Representação gráfica dos valores das médias (Mpa) e desvios-padrão dos grupos experimentais.

Figuras 3a-b. Fotomicrografias representativas (MEV) de uma falha adesiva (Tipo E) entre a dentina e cimento: A-50X e B-700X.

* = Pino de fibra; = ruptura da interface dentina/cimento; = dente bovino.

De acordo com os resultados do presente estudo, a resistência de união push-out à dentina radicular não foi influenciada pelos protocolos utilizados. No que diz respeito à utilização dos pinos de fibra acessórios, utilizados para diminuir a espessura da camada de cimento resinoso, os resultados obtidos no presente estudo estão de acordo com outros estudos5,27. Esses autores relataram que um aumento na espessura da camada de cimento não influencia na resistência de união de pinos de fibra cimentados à dentina radicular. Ao se utilizar as brocas calibradoras para preparar a dentina intrarradicular antes da cimentação de pinos, como recomenda o fabricante, é obtido um espaço mínimo entre pino e dentina, o que possibilita a melhora nos valores de união5. Esta contradição se deve às grandes variações morfológicas encontradas no canal radicular, as quais muitas vezes apresentam formas elípticas. Características morfológicas similares dos canais radiculares foram observadas no presente estudo, as quais foram apenas detectadas após seccionamento durante a preparação dos espécimes para o teste push-out. Quando a espessura do cimento é excessivamente elevada, a resistência de união ao pull-out de pinos cimentados à dentina radicular diminui significativamente20. Além disso, uma maior camada de cimento aumenta a probabilidade de criar bolhas, que

são áreas frágeis, predispondo o pino ao descolamento19. Adicionalmente, a contração de polimerização é um importante fator relacionado às imperfeições das interfaces pino/cimento/dentina. Autores28 têm indicado que maior camada de cimento apresenta maior contração de polimerização. No presente estudo, o uso de pinos de fibra acessórios (G3) diminuiu a espessura da camada de cimento comparado ao G2, embora os valores de resistência de união tenham sido similares entre os grupos. Entretanto, esses pinos de fibra devem apenas ser selecionados em situações clínicas quando a camada do cimento necessita ser reduzida, por eles apresentarem propriedades mecânicas mais favoráveis do que os cimentos resinosos29,30.

Considerando a técnica de condicionamento total no processo de união, o presente estudo relacionou o adesivo de frascos múltiplos com condicionamento total. Os resultados observados no presente estudo estão de acordo com outros17,18 que declaram que a hibridização da dentina radicular com condicionamento ácido e sistema adesivo parece ter uma pequena contribuição na retenção intrarradicular de pinos cimentados adesivamente. Esses autores relatam que a fricção gerada entre o cimento resinoso e as paredes internas do canal radicular é o principal mecanismo de retenção dos pinos. A adaptação do pino, além de

(6)

melhorar o mecanismo friccional, reduz a camada de cimento resinoso, que contribui para minimizar os efeitos da contração de polimerização31. Consequentemente, quando um adesivo é utilizado para formar uma efetiva camada híbrida, a resistência de união não difere quando sistemas adesivos não são utilizados. Adicionalmente, uma união satisfatória entre pinos de fibra e dentina não é uma situação realista quando se utiliza sistemas adesivos no canal radicular.

Quando se analisam os tipos de falhas dos grupos experimentais no presente estudo (Tabela 3), foram mais predominante falhas adesivas entre a dentina e o cimento resinoso (Tipo D). Entretanto, os espécimes dos grupos 2 e 3 apresentaram alta taxa de falhas adesivas entre o cimento resinoso e os pinos de fibra. Resultados similares foram observados, indicando uma fraca união entre o pino e o cimento27. Esses resultados podem ser explicados pelo aumento da camada de cimento nestes grupos, além da ausência do tratamento da superfície do pino. De acordo com as recomendações do fabricante, nenhum tratamento de superfície é recomendado quando se utilizam pinos individualmente embalados, como os utilizados neste estudo. Entretanto, vários tratamentos de superfície para os pinos têm revelado como eficientes, aumentando a resistência de união entre o pino e o cimento3,32,33.

Outros estudos in vitro em longo prazo, utilizando testes de fadiga, são necessários para avaliar a longevidade dos procedimentos de cimentação adesiva de pinos de fibra. Adicionalmente, estudos clínicos são necessários para determinar, através de análises comparativas de estudos in vitro prévios, novos protocolos clínicos para a cimentação de pinos de fibra ao canal radicular.

A resistência de união de pinos de fibra à dentina radicular bovina não foi influenciada pelos diferentes protocolos de cimentação avaliados.

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Recebido/Received: 17/12/2012 Revisado/Reviewed: 05/06/2013 Aprovado/Approved: 22/07/2013

Correspondência:

Rodrigo Othávio de Assunção e Souza

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Odontologia.

Av. Salgado Filho, 1787, Lagoa Nova, Natal/RN CEP: 59056-000

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