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Hillman Anima

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GUlras obras de interesse:

ANIMUS E ANIMA

Emma Jung

OS SONHOS E A MORTE

Marie-Louise von Franz

l'

A TIPOLOGIA DE JUNG

Marie-Louise von Franz e James Hillman

TOCAR - Terapia do Corpo e Psicologia Profunda

Deldon Anne McNeely

ENSAIOS DE SOBREvMNCIA - Anatornia

de uma Crise da Meia-Idade

Daryl Sharp

TIPOS DE PERSONALIDADE - 0 Modelo

~

_ Tipo16gico de Jung

Daryl

Sharp

o

ARQuETIPO CRISTAO

Edward F. Edinger

A BUSCA DO 51MBOLO - Conceitos Basicos de

Psicologia Anal!tica

Edward C. Whitmont

A EXPERffiNCIA JUNGUIANA

James A. Hall

JUNG E 0 TARO - Uma Jornada Arquetipica

Sallie Nichols

IllSTORIA DA ORIGEM DA CONSCI£NCIA

Erich Neumann

ANIMA

(3)

Titulo do original: Animo

An Anatomy of a Personified Notion

Ensaio das paginas {mpares

Copyright © 1985 by James Hillman.

Todos os excertos extra{dos de The Collected Works of C. G. Jung e dos dois vo-lumes das C. G. Jung Letters - Copyright © by Princeton University Press e by Routledge & Kegan Paul -~o citados por permis~o da Princeton University Press. Todos os excertos de Memories. Dreams.

Reflections-Copyright ©by Random House. Inc.

-Direitos de traduyao para a lingua portuguesa adquiridos com exclusividade pela

EDITORA CUL TRIX L TDA.

Rua Dr. Mario Vicente, 374 - 04270 - Sao Paulo, SP - Fone:27:-1399 que se reserva a propriedade literuia desta uadu¢o.

Impressa nas oficinas grdficas da Editora Pensa"'!'ento.

SUMARIO

Anima: Imagens do Hwnor e do Desejo . . . .

Prefacio

...

"

...

Nota Editorial

.

'

... .

PARTE I

Introdu9ao .... : . . . .

1. Anima e

Contr~;x~~~a~~ ~ ~

. . . . . . .

2. Anima e Eros

. . . . ... .

3.

Anima e

Senti~~n't~ . . . .

4.

Anima e 0

Feminino . . . .

5. Anima e Psique ... : : : : : : : : . . . . .

...

PARTE

II

6.

Anima e Despersonalizacrllo

7.

Integracrllo da Anima.

. . . . . . .

8. Mediadora do

Desconh~~id~' . . . . 9.

Anima como

Unipersonalidad~

. . . .

10 .

Anim

. a

na

Sizfgia . . . . . . . . . . . . . . • . . . . .

. . . .

NOTAS

.

...

'

... .

7 9 12 15 19

31

47 65 85 115 129

143

161

181

198

(4)

J

AMES HILLMAN

ANIMA

Anatomia de uma

No~o

Personificada

Com excertos dos escritos de

C.

G. Jung

e desenhos originais de Mary Vernon

Tradut;tfO

LUOA ROSENBERG GUST AVO BARCELLOS

EDITORA CULTRIX

(5)

A GRADECIMENTOS

Desenho da capa de Catherine Meehan e Sven Doehnor. A imagem da anima na capa: Bernardo Buontalenti, Ninfa marina, Firenze, B.N.F., C.B., 3,5311, c. lOr; Fo-togrUIa colorida G. Sansoni com permiss!o da Biblioteca Nacional de Firenze e selecionada por Pierre Denivelle.

Mary Vernon agraliece

as

seguintes fontes para os vanos detalhes de suas ima-gens: Carol B. Graftoll, Treasury of Art Nouveau DeJign and Ornament; Jim Harter, Harter's Picture A rchive; Jim Harter, Women:A

PictoriaIArchlvefromNineteenth.cen-tuTy Sources; e Theodore Menten, Pictorial Archive of Quaint WOodcuts: Joseph Crawhall, todas da Dover Publications. . . . .

--Mais do que tudo, 0 autor e editor r~idos 0 uso dos excertos dos seguintes volumes de The Collected Work.r of C. G. Jung,

tradu~o

de R.F .C. Hull, Bollingen Series XX. Os excertos foram nanscritos com a permissfo da Princeton University Press.

Vol. 5 Symbols of Transformation, copyright © 1956 by Princeton University PreSs. Vol. 6 Psychological Types, copyright © 1971 by Princeton University Press. Vol. 7 Two Essays on Analytical Psychology, copyright 1953, © 1966 by Princeton

University Press.

Vol. 8 The Structure and Dynamics of the Psyche, copyright © 1960, 1969 by Prin-ceton University Press.

VoL 9 I, The Archetypes and the CoUective Uncolllciou&, copyright© 1959,1969 by Princeton University Press.

Vol. 9 II, Aion: Researches into the Phenomenology of the Self, copyright © 1959 by Princeton University Press.

Vol. 10 Civilization in Transition, copyright © 1964, 1970 by Princeton University Press.

Vol. 11 Psychology and Religion: West and East, copyright © 1958, 1969 by Prin-ceton University Press.

Vol. 12 Psychology and Alchemy, copyright 1953, © 1968 by Princeton University Press.

Vol. 13 Alchemical Studies, copyright © 1967 by Princeton University Press. Vol. 14 Mysterium Coniunctionis, copyright ©1965, 1970 by Princeton University

Press.

Vol. 15 The Spirit in Man, Art, and Literature, copyright © 1966 by Princeton Uni-versity Press.

Vol. 16 The Practice of hychotherapy, COpyright 1954, © 1966 by Princeton Uni-versity Press.

Vol. 17 The Development of Personality, copyright

© 1954 by Princeton University

Press.

Vol. 18 The Symbolic Life, copyright 1950, 1953, copyright © 1955,1958, 19S9,

1963,1968,1969,1970,1973,1976 by Princeton University Press.

o

autor e editor tambem agradecem a Routledge &. Kegan Paul Ltd. (Lon-dres) editores da acima mencionada

edi~o

de The Collected Workr Of C.G. Jung

ANIMA: IMAGENS DO HUMOR E DO DESFJO

. A . vida quase secreta cia alma parece rechear 0 ceme de tocia a

p~cologIa profunda. A obra de James Hillman, ao longo de muitos anos

e angulos, n~o

e

~a exce~o: ao contrano, nela a alma

e

uma devo~lio.

.. Em latlm, anrma quer dizer alma, ou psique.

h

0 termo que Jung

~tiliz~u ao deparar-se com a interioridade feminina do homem. Anima

e aquilo pelo .que os ~omens se apaixonam; ela os possui enquanto

hu-~ores e de5eJos, motivando suas ambi~Oes, confundindo seus racioci-mos. Na extensao que Hillman faz cia psicologia de Jung a anima

tarn-bern pertence Ii interioriciade das mulheres, e na-o

some~te

Ii uilo ue

toca seus relacionamentos com os hom ens Anima l' q q

al

. . . . relere-se nurna s6

p avra, a mtenoridade. '

.. No q~e se lan~, sempre com devo~o, como uma fenomenologia

C~ltica, e nao uma fenomenologia empirica, este livro passeia pelos sen-timentos, problemas, fantasias e mesmo pela beleza da anima A

ta-lo ao leitor brasileiro apaixonou-nos. .

presen-. ~a .maioria. das vezes, os tradutores de livros poderiam manter-se

em. sil~nclO e delXar 0 trabalho falar por si. Este livro

e

especial e sua

cunosldade e

inova~[o

nos tentou a falar desta paixa-o. Antes d: t d

urn trabalho d t . . es a unportancla e viSlio merece estar disponfvel a urn _ . u 0,

~ublico c~da ~ez ~aior. Talvez seja este urn trabalho mais pr6ximo da

~teratura unagmabva do que cia ciencia, em seu conteudo, em seu es-tilo, .em suas cores, em sua profundidade e em sua coragem. Mas sera

~ue IStO .nlio pode ser dito de quase tudo 0 que Hillman escreve? Este

~vro clarifi~a os. humores, as personalidades, as defmi~oes e dispOe as unagens umversaIS e atemporais do aspecto mais sutil, evasivo e ardiloso

(6)

psicologia e da vida. Curiosidade e inovac;:ao nao

para~ por ai. Este

TO

e, na verdade, um dialogo. Ao expor, em suas paglnas pares, as

:ac;:oes da obra de lung, onde se o rigina ,

s~ amplia e ~ aprofu~da 0

.saio de Hillman, que apareee nas paginas lmpares,

0

livro conVlda

0

Itor a uma experiencia sedutora: aproximar.se pessoalmente dos di·

rsoS niveis de leitura ali envolvidos. Aproximac;:ao e Jigac;:ao parecem

r 0

verdadeiro chamado da alma .

. N6s, tradutores, tambem estivemos ligados

a

anima ao longo do

iib alho , conduzidos pelas suas asas (de borboleta?) na fantasia de

trans-)r 0 texto para a lingua portuguesa. Trabalhando

0

material frase a

ase, muitas vezes palavra por palavra, esperamos nlIo ter deixado voar

alma (0 freseor) inteleetual que ele possui no original.

"Anima: Imagens do Humor e do Desejo" era

0

titulo de urn se·

Linario que Hillman conduziu em fevereiro de 1986 na The C. G. lung

oundation for Analytical Psychology, de Nova York. Apresentando

rna serie de cem

slides,

Hillman mostrava, em algumas de suas

ilirni·

tdas imagens, a anatomia da noc;:ao que temos da anima em nossas vi·

as. Neste

livr~,

ele faz

0

mesmo em psicologia.

Quem sera, de fato, esta mulher, procurando seu caminho entre

ossos conceitos?

Lucia Rosenberg

Gustavo Barcellos

Sao Paulo

marc;:0/1990

PREFACIO

Este ensaio fala por

si.

Normalmente, depois de doze anos urn

autor que re·fazer

0

trabalho. A necessidade de aperfeic;:oamento. Ao

inves disto, estou encantado com ele - foi realizado inteiramente e es·

ta

completamente terminado. Precisava apenas de algumas reformula·

c;:Oes, ampJiaC;:Oes e cuidados praticos - em doze anos aprende.se urna

coisa ou outra sobre anima. Uma vez tendo comec;:ado estas ampliac;:oes,

quase mo pude conte·las nestas paginas. Como pode ser instigante a

anima,

em bora me pergunte se este ensaio, cujo objetivo era clarificar

sua nos:ao em minha mente, fez alguma coisa no sentido de desvendar

seus efeitos em

minha

vida. Ainda hoje me defendo dela com idealiza·

c;:ao e ceticismo.

Este ensaio comec;:ou como uma digressao que me pare cia essen·

cial para

0

"Re.Visioning Psychology" (1975), mas logo a anima pe.

diu mais espac;:o do que as proporc;:Oes daquele livro permitiam. 0 en·

saio era inclusive muito extravagante para ser impresso como uma pe.

c;:a s6, entao teve que ser dividido em dois

(Spring

1973 e

Spring

1974).

Estes nfuneros daquele peri6dico estao

lui

tempos fora de cat,Hogo,

0

que nos

da

um motivo razoavel para transformar este ensaio num

livr~.

Existem outros motivos, razOes mais profundas. Revendo agora,

parece que meu trabalho sempre foi baseado em anima, desde Emotion

(1960) ate "Betrayal" e

0

conto de Eros/Psique com

0

mito da anali·

se, passando pelo conceito de "cultivo da alma" e, mais recentemente.

a atenc;:a:o com a imaginac;:ao estetica e com a alma do mundo

(animo

mundl)

Capitulosespecificos sobre a investigac;:ao do sal, da prata, e

da cor

azul

na alquimia tam bem foram elaborados com base na

(7)

feno-NOTA EDITORIAL

Nas paginas que se seguem, urn ensaio de James Hillman apare· ce nas paginas impares, enquanto que relevantes cita~oes de trabalhos de Carl Gustav J ung aparecem nas paginas pares. Letras em negrito im· pressas ligeiramente acima (expoentes) por todo 0 ensaio de Hillman

conduzem 0 leitor ao material apropriado das cita~Oes de Jung nas pa·

ginas

a

esquerda, que podem ser urna ou muitas. As letras alfabeticas

come~ novamente com "A" a cada dupla de paginas.

A introdu~ao de

Hillman

lista, na pagina 19, as duas abrevia~Oes

dos trabalhos de Jung utilizadas para que se possa identificar a fonte das cita~Oes. Leitores nllo farniliarizados com seu "Collected Works" deve saber que eles slIo referidos por mlinero de volume e paragrafo. Excluindo a caixa alta das letras iniciais, todas as interferencias editoriais da

Spring Publications

no material de Jung slIO indicadas por colchetes em negrito. Colchetes comuns estllo ou reproduzidos do rna· terial original ou incluem material de Jung que foi transposto de urn lugar para outro numa dada cita~lIo. Urn UN" entre parentesis na refe· rencia de fonte de uma cita~lIO mostra que a

Spring

incluiu uma nota de rodape relevante dos ''Collected Works".

M.H.G.S.

Considere, por exernplo, Animus e Anima. Nenhurn filosofo de posse de seus plenos sentidos inventaria ideias ta:o irracionais e desajeitadas.

C. G. Jung Carta a Calvin S. Hall

Os principios basicos, os archai, do inconsciente ~o indescritiveis devido

a

sua riqueza de referencia .... 0 intelecto discrirninador naturalmente tenta es-tabelecer sua singularidade de Significado e assim deixa escapar 0 ponto essencial; pois aquilo que podernos acirna de tudo estabelecer como 0 aspecto rnais coeren· te corn sua natureza

e

seu significado multifacetado. sua riqueza de referencias quase sem lirnites, 0 que torna imposslvel qualquer forrnula~ao unilateral.

(8)

lenologia da anima.

Se

anima e minha metafora basica, parece psico-)giCaI11ente necessario mergulhar neste componente que domina meu lensamento, colore meu estilo e que tern tao graciosamente oferecido emas para minha aten9ao.

Mais do que isto, 0 devotio

a

anima n~o e 0 chamado da

psico-ogia? Assim, uma outra profunda raz~o para este livro e fomecer uma

Illse para a vis~o da alma em psicologia, de forma que a psicologia n~o

e perca nas perspectivaS arquetfpicas da Crianya e do

desenvolvimen-alismo, ou da Mae e do causalismo material. A vis~o de alma dada pela

mima e mais do que simplesmente lima outra perspectiva. A fala da

lima convence; e uma sedu9ao em dire93:0

a

fe psicol6gica, a fe nas

ima-~ens e no pensarnento do cora9~0, rumo a urna anima93:o do mundo. &.nima conecta e envolve. Ela nos faz mergulhar no amor. Nao pode-.nos permanecer como urn observador desvinculado que olha atraves ie uma lente. Na verdade, ela provavelmente nao compartilha de ne-Ilhuma metafora 6tica. Em vez disso, ela esta continuarnente

traman-io, confundindo e encantando a conscit~ncia com liga90es passionais

muito alem do ponto distanciado de uma perspectiva.

o

livro jamais poderia ter sido realizado se n~o fosse por Gerald

James Donat, que checou cada referencia para evitar provaveis

impre-cisoes - e M umas quinhentas referencias a Jung no que se segue. Donat

levantou serias questoes que tiveram que ser trabalhadas, e este texto

foi aperfei90ado devido

a

sua aten9ao com os detalhes e II for9a

de

seu

raciocinio obstinado. Peter Bishop copiou as cita90es de Jung e

diagra-mou-as

en face,

dando ao livro sua forma basica. Bishop foi

cuidado-so e precicuidado-so em seu trabalho e realizou-o lindamente. Depois, Joseph Cambray revisou 0 que estava feito, amarrando cuidadosarnente os fios

soltos e encaixando minhas inser90es irracionais de ultima h~ra.

Finalmente, Mary Helen Gray Sullivan apareceu, editando,

che-cando novamente as referencias, ajustando cita90es que n~o

combina-yam, introduzindo altera90es e adendos, desenhando 0 livro pa.gina por

pagina, descobrindo novas dl1vidas - mais uma vez fazendo-me

cons-ciente de minhas falhas. Embora 0 livro traga urn tinico autor, exist em na verdade quatro outros - Sullivan, Donat, Bishop e Cambray. (As

falhas, no entanto, sao todas minhas.) E,

e

claro, urn quinto, cujas

pa-lavras e cuja anima tomou esta tare fa valida para n6s todos - C. G. Jung.

_ Aproveito a ocasi3:o para agradecer tambem Tree Swenson por

tao bons conselhos com rela9~0 II forma do livro e a Princeton University

Press e a Routledge and Kegan Paul por permitir as cita90es dos escri-tos de C. G. Jung.

J.

H.

(9)

PARTE I

se urn hornern nIo sabe 0 que urna coisa ~, ele amplia seu conhe-cimento se peJo rnenos souber 0 que urna coisa n40

e."

INTRODUr;AO

C. G. lung Ultima frase de Aion

Esta digressao pretende complementar as principais obras

exis-tentes sobre anima.l

]a que est a literatura oferece uma consideravel

fenomenologia sobre a experienciada anima, yOU examinar mais de

per-to a preterida fenomenologia da nopfo de anima. Experiencia e no~o

influenciam-se mutuamente. Nao apenas derivamos nossas nos:t:>es de nossas experiencias de acordo com a fantasia do empirismo, como

tam-bern nossas no~t:>es condicionam a natureza de nossas experiencias.

Pa-rece-me existir urn sentimentalismo que inunda "anima", 0 qual

descon-fio estar embutido na pr6pria no~a-o, assim colorindo nossas

experien-cias e a avalia~o dessas experiencias com tons r6seos e p:ilidos.

Des-ta forma, examinar nossas experiencias nao corrige esse sentimenDes-talis- sentimentalis-mo, uma vez que elas ja foram pre-julgadas pelas lentes rosadas que nos

foram dadas, acredito, pela no~o. Seria melhor que olhassemos para

a no~ao, se.

e

que

e

la que 0 sentimentalismo esta.

t

claro, ".anima"

de-marca uma regiao dificil da psique, que raramente se presta a qualquer

tipo de investiga~a-o. Mas a dificuldade que temos com anima nasce mais

dos conceitos indiferenciados que temos dela do que de sua pr6pria

na-tureza indiferenciada. Jung explicou frequeiltemente 0 valor

(10)

(a)

De acordo com estes gn6sticos, ... a figura feminina da Sabedoria,

[era) Sofia-Acharnoth ... , Sofia, em parte por urn ato de reflexa:o e

em parte levada pela pr6pria necessidade, entrou em relayao com a

escuridao exterior. Os sofrimentos que a acometerarn tomaram a

for-ma de vanas emos:Oes - tristeza, medo, espanto, confusao, saudade;

as

vezes ria,

as

vezes chorava ....

o

estado emocional de Sofia mergulhou na inconsciencia ... , seu

amorfismo, e a possibilidade de ela se perder na escuridl1'o

caracteri-zam de fonna muito clara a anima de urn homem que se identifica

totalmente com sua razll'o e sua espiritualidade.

cw

13, §452ss.

(b)

Se 0 encontro com a sombra

e

"obra

de

aprendiz"

(apprentic~

-piece) no desenvolvimento de urn indivfduo, enta'o 0 trabalho com

a anima e a "obra-prima"

(master-piece).

CW 9, i, §61 (cf. carta a Traugott Egloff, de 9 de fevereiro de 1959)

(c)

Tenho notado que as pessoas nl1'o tern muita dificuldade em fazer

urna ideia daquilo que chamamos de sombra .... Mas lhes causa urn

enonne problema entender 0 que quer dizer anima. Eles a aceitam

com suficiente facilidade quando ela aparece em romances ou como

urna estrela de cinema, mas nada entendem dela quando

e

preciso

observar 0 papel que ela desempenha em suas pr6prias vidas, porque

ela soma tudo aquilo que urn homem nunca pode veneer e com 0

que nunca para de lutar. Dessa fonna, ela pennanece nurn estado

perpetuo de emocionalidade que nl1'o deve ser tocado.

0 grau de

in-consciencia que encontramos em relayao a isto

e,

para nl1'o dizer

coi-sa pior, estonteante.

CW 9,

i,

§485

de modo que pensarnento e sentimento conceituais precisos,

especial-mente no que se refere a urn vago e sutil

fascinosum como a anima,

ser-vern

a

consciencia psicol6gica.

Pode-se argumentar que a incerteza

e

pr6pria da anima e que

cla-rificayao conceitual significa usar 0 intelecto onde ele n!ro cabe.

Quan-to mais vagos forem nossos conceiQuan-tos, melhor refletem a anima. A meu

ver, esta discussao tao conhecida indica que fomos envolvidos pela

ani-ma feito tolos e atraTdos por ela para dentro da floresta. Da mesani-ma

tor·

rna que nao devemos deid-Ia dominar

0

terreno

das

relayoes pessoais

on

de ,

como Eva, ela nos tornaria demasiadarnente carnais e literais, as·

sim

tarnbem nao podemos

deix~-la

dominar

0

terreno das ideias onde,

como Sofia, ela nos tornaria confusos e amorfos.a Podemos tambem

ser v{tirnas

da

projeyao

da

anima com ideias sentimentais que turvarn e

embaralham nossas mentes,

assim

como com pesSoas. Hoje em dia,

0

sacri-ficium intellectus na psicologia analftica desvia-se muitas vezes

de

seusigni-ficado original - dedicar 0 intelecto aos Deuses - para abandonar sua

,carga em troca de ternura e maciez. Nem Freud nem Jung tiveram de

cortar suas cabeyas para servir

a

psique.

Se Sofia

e

uma das faces da

ani-ma, entao sutileza na utilizay!ro

da

mente certamente nl1'o

e

nenhuma

ofensa a ela, podendo ate ser urn de seus pedidos ao psic610go e urn

exercicio que a delicia.

Precisao no que se refere a anima parece particularmente

relevan-te por duas razoes: primeiro, porque nossa sociedade" e a psicologia

co-mo parte

dela,est~

em alta tensll'o no que concerne a sentimento,

femi-nilidade, eros, alma, fantasia - areas que a psicologia analftica

envol-veu com anima; e segundo, porque Jung disse que para 0 individuo a

Auseinandersetzung* "com a anima e a 'obra-prima' " do trabalho

psi-col6gico.

b

Novarnente, a clarificaya'o daquilo que a noyao carrega po:

de trazer algum

insight para as confusOes sociais e individuais,

inclusi-ve a minha, enquanto escrevo, e a sua, enquanto Ie.'

"Anima" recebe varias defmiyOes em Jung. Estas podem ser

vis-tas como niveis de diferenciayao que podemos separar antes de tentar

entender suas inter-relayOes. Por

n{veis~n!ro

quero sugerir urna hierar-'

quia de estagios ou

urna

graduaya:o de valor, mas apenas facetas

sobre-postas umas as outras. Essas diversas definiyOes n!ro necessitam ser

(11)

(a) ... referencia valiosa a

Tristram

Shandy [1759-67).["as duas almas

em qualquer homem vivo, - uma ... cham ada 0 ANIMUS, a outra, a

ANIMA" (Londres, 1911, p. 133)]. Para comeyar, eu nlio tinha de

jeito nenhurn 0 sentimento de que era culpado de phigio com minha

teo ria [anima/animus], mas nos Ultimos ~ anos ... descobri ... trayos

dela em velhos alquimistas ... S6 posso pensar que Laurence Sterne baseou-se nos ensinamentos secretos (presurnivelmente da Rosa-cruz)

de seu tempo. Eles contem

0

Segredo Real do Rei e da Rainha, que

nao eram ninguem mais nem menos que animus e anima, ou Deus e Dea.

Carta

a Georgette Boner, de 8 de dezembro de 1938

(b)

Nenhurn homem e tlio inteiramente masculino que nlio tenha nada

de feminino em si. ... A represslio de trayos femininos ... faz com que estas demandas contrassexuais seacurnulem no inconsciente.

CW

7, §297 (cf. §§296-301)

. . . 0 feminino pertence ao homem como sua pr6pria feminilidade inconsciente, a qual chamei de anima.

CW 5,

§678

E

normal urn homem resistir

a

sua anima, porque ela representa ...

todas aquelas tendencias e conteUdos ate entlio excluidos da vida

consciente.

CW 11,

§129

tadas historicamente, pois nlio estamos envolvidos num estudo do

de-senvolvimento do conceito de anima nas ideias de Jung.a Ao

contra-rio, tratarei as noyOes fenomenologicamente, usando os

Collected Works

(CW),

e eventualmente

Memorias, Sonhos e Reflexoes

(MSR) e as

Letters

(referidas pela data e destinatario

),2

como urn corpo imico, sem

aten-yao especial

a

ordem crono16gica das noyOes de anima ou de seus

con-textos.

1. ANIMA E CONTRASSEXUALIDADE

Jung e a literatura da psicologia analitica empregam "anima"

prin-cipalmente referindo-se ao aspecto contrassexual, menos consciente da

psi que do homem.b "A anima pode ser defmida como a imagem, 0

ar-quHipo ou 0 dep6sito de todas as experiencias do homem com mulher"

(CW

13, §58). Esta defmiylio basica, que situa a anima apenas na

psi-que do homem, e reforyada por urna especula'Ylio biol6gica: "A anima

e, presumivelmente, urna representa'Yao psiquica da minoria de genes

(12)

(a) Poderiamos comparar a masculinidade e a feminilidade e suas com· ponentes psiquicas, por exemplo, com determinada provisao de substancias ...

CW 8, §782 Ate certo ponto, cada sexo habita no sexo oposto pois, do ponto de vista biol6gico, e justamente a maioria de genes masculinos que pesa na balan9a em favor da masculinidade. Urn menor numero· de genes femininos parece formar urn carater feminino, que normalmente per· manece inconsciente devido

a

sua posis:ao subordinada.

CW 9, i, §58

. . . conforme 0 caso, 0 sexo e determinado pela maio ria de genes masculinos ou femininos. Mas a minoria de genes pertencentes ao sexo oposto nao desaparece simplesmente. Portanto, 0 homem pos· sui em si urn lado feminin0, uma figura feminina inconsciente - fa-to do qual ele geralmente nao esta ciente.

£

sabido que denominei esta figura de "anima" ...

CW 9, i, §512 A anima, sendo psicologicamente a contraparte feminina da cons-ciencia masculina, baseada na minoria de genes femininos no corpo masculino ...

Carta ao Conego H. G., Inglaterra, 8 de janeiro 1948 ... todo 0 homem "contem Eva, sua esposa, escondida no seu corpo".

E

este elemento feminino em cada homem (com base na minoria de genes femininos em sua constitui9ao biol6gica) que charnei de

anima.

CW 18, §429 (b)

0

fato de 0 rotundum estar. .. contido na anima e por ela ser pre.fi. gurado da·lhe urn extraordinano fascinio . . . Portanto, num certo nivel, a mulher aparece como a verdadeira portadora da tao deseja. da totalidade e redens;a:o.

20

CW 14, §500 Quando este instinto da totalidade se manifesta, ele aparece primei. ro disfars:ado no simbolismo do incesto, pois 0 feminino mais pr6xi. mo de urn homem e sua mae, sua mulher ou sua filha, quando ele nao 0 procura dentro de si.

CW 16, §471

femininos no corpo do homem" (CW 11, §48).a Anima assim toma·se a condutora e ate mesmo a imagem da "totalidade",b pois completa o hermafrodita tanto psicologicamente quanto como representante da contrassexualidade biol6gica do homem.

Se

a anima representa a lacuna feminina no homem, uma terapia centrada na ideia da individua9aO direcionada para a totalidade ira fo-calizar·se principalmente no seu desenvolvimento. 0 desenvolvimen· to da anima assim tornou·se 0 maior principio terapeutico nas ideias de muitos psic610gos analiticos, e 0 "desenvolvimento do feminino" a principal plataforma da psicologia analitica. Mas assim como "anima" permanece urna ideia densamente misturada a outras n090es - eros, sentirnento, rela90es hurnanas, introversa:o, fantasia, vida concreta, e outras que estaremos revelando no decorrer do livro - 0 desenvolvi· mento da anima, como a pr6pria anima, continua a significar muitaS coisas para muitos homens. Disfar9ado de "desenvolvirnento de anima", acontece urn rico trafico de hip6teses contrabandeadas, devo90es a eros, indulgencias escatol6gicas sobre salvar a pr6pria alma atraves dos rela· cionamentos tornando-se mais feminino, e 0 sacrificio do intelecto.

(13)

(a) Ha casos em que a anima impede excessivamente as boas intenr;:Oes da consciencia, criando urn contraste entre a vida particular do indi-viduo e sua esplendida persona; 0 caso oposto e equivalente

e

0 do individuo ingenuo, que nada sa be ace rca da persona e que troper;:a no mundo com as mais penosas dificuldades .... Mas se revertermos o quadro e compararmos dois individuos, urn possuidor de urna es-plendida anima e outro desprovido dela, constatareinos que 0 primei-ro estara tao informado sobre 0 mundo quanta 0 segundo sobre a anima e seus assuntos.

CW 7,

§318

(b)

Poderiamos comparar a masculinidade e a feminilidade, e suas com-ponentes psiquicas, por exemp}o, com determinada provisao de

subs-Uincias utilizadas, por assim dizer, de modo desigual na primeira

me-tade da vida.

0

homem consome grande quantidade de substancia masculina e deixa apenas urna reserva menor de substancia feminina

que agora deve ser utilizada. '

CW

8, §782

Depois da metade da vida, contudo, uma perda permanente da anima significa urna diminui9ao da vitalidade, da flexibilidade e da bondade hurnana:

?

resultado, via de regra,

e

uma rigidez prematura, rispidez, estereotIpla, unilateralidade fanatica, obstina9a:O, pedantismo ou mais ainda, resignar;:ao.' cansar;:o, imundicie, irresponsabilidade ;, fl-nalmente, urn

ramollzssement

infantil com urna tendencia ao al-coolismo. Depois da metade da vida, portanto, a conexa:o com a es-fera arquetipica da experiencia deveria, se possivel, ser restabe-lecida.

CW 9, i,

§147

Quanto mais urn homem se identifica com seu papel social e bio-16gico de homem (persona), maior sera a dominar;:l[o interna da anima.a Assim como a persona dirige a adaptar;:a:o

a

consciencia coletiv"a, a anima govern a 0 mundo interno do inconsciente coletivo. Da mesma forma que a psicologia do homem, de acordo com Jung,b depois da rneia-ida-de rneia-ida-desloca-se em direr;:30 ao seu oposto feminino, tam bern ha uma sua-vizar;:ao e urn enfraquecimento fisiol6gico e social em direr;:ao ao "fe-minino", tudo isso ocasionado pela anima.

N30 ha duvida que a experiencia realmente conflrma esta primei-ra nor;:30 de anima que a consideprimei-ra como a linhagem feminina inferior do homem. De fato, ela primeiro aparece atraves de figuras de sonho, emor;:oes, queixas sintomaticas, fantasias obsessivas e projer;:oes do homem ocidental. Anima

e

"a sedutora glamourosa, possessiva, tempe-ramental e sentimental que existe no homem" .(CW 9, ii, §422). "Ela

(14)

(a) A anima ... e a "energia do pesado e do turvo"; ela se apega ao cora· 9ao corporal, de carne. Seus efeitos slro "desejos sensuais e impulsos

de raiva". "Aquele que

e

sombrio e cheio de humores ao acordar ...

est a acorrentado

a

anima".

CW 13, §57

Tomemos, por exemplo, 0 tipo do benfeitor publico, 0 homem "sem macula", temido em casa pela mulher e pelos ftlhos por seu carater' irascfvel e humor explosivo. Qual 0 papel da anima nesses casos?

CW 7, §319

(b)

Quando a sombra, a personalidade inferior, esta em grande parte in·

consciente, 0 inconsciente

e

representado por uma figura masculina.

CW 10, §714n21

(c)

0

jovem em crescimento deve ser capaz de libertar·se do fascinio

animico da mlfe. Ha exce90es, principalmente entre artistas, com os

quais 0 problema

e

urn pouco diferente; tamhem a homossexualida·

de que normalmente se caracteriza pela identifica9lro com a anima. ... Tal disposi9lro nlro deveria ser julgada de modo negativo em to· dos os casos, na medida em que preserva 0 arquetipo de Homem Ori· ginal, que urn ser sexualmente unilateral, ate certo ponto, perdeu.

26

CW9,i, §146

A rela9ao homossexual entre urn homem mais velho e urn mais jo· vern pode ser vantajosa para ambos e ter urn valor duradouro. Uma

condi9ao indispensavel para 0 valor de tal rela9lro

e

a firmeza da ami·

zade e a lealdade a ela. Mas

e

muito com urn a falta de tais condi·

90es ... Uma arnizade deste tipo naturalmente envolve um culto es-pecial do sentimento, do elemento feminino no homem. Ele se tor· na sentimental, afetado, esi6tico, supersensfvel, etc. - numa pala· vra, efeminado ...

CW 10, §220

. . . "a

intensifica, exagera, falsifica e mitologiza todas as rela90es emOClOnalS ... Todavia, a sindrome dos tra90s femininos inferiores na esfera pessoal, como outras sindromes (histeria de converslro ou acessos manfacos, por

exemplo), e relativa aos dominantes da cultura e do Zeitgeist.

*

As sfndro·

mes que eram frequentes quando Freud come90u a pSicancllise sao menos

freqiientes hoje; a anima como uma sfndrome de tra90s femininos inferi~.

res ou excessivos e menos evidente na medida em que a cultura se moY!·

menta em dire9lro

a

incorpora9l!"o de atitudes "tipicamente anima" em seus

val ores coletivos. Nao devemos portanto identificar uma descrlfiio de ani·

rna num periodo da hist6ria rigidamente patriarcal, puritanamente defensi·

vo extrovertidamente intencional e desalmado com sua definifiio. Mesmo

se 'a anima exagera e mitologiz.a, sua influencia nas rela90es emocionais de

hoje, quando a interioridade da alma e a contrassexualidade ~o urn requi·

sito, aparecera diferentemente e sera govern ada por outros mItos. A tarefa

agora e descobrir quais descri90es !he sao apropriadas nesta epoca

e

de que

forma eia mitologiza hoje.

Aiem disso, independentemente de perfodos hist6ricos e de suas no· 0es de efemina9ao, pode existir uma consciencia sofisticada de anima (no trovador, no ator, no cortesao, no diplomata, no pintor, no florista, no de·

corador ou no psic610go - embora sempre com certas restri90e~) que se :e.

fere menos

a

feminilidade inconsciente do que

a

identidade eg61ca real. Urn

homem pode ser governado principalmente pela anima sem ser inconscie~.

te isto e sem mostrar tra90s contrassexuais indiferenciados ou compulsl. v;s. Urn homem pode de fato tornar·se uma crian9a da anima no seu com· portamento social, vivendo adaptado a uma consciencia coletiva que nova·

mente abriu espa90 para aquilo que ate agora, neste seculo, tena sldo C?~·

siderado uma subjetividade de anima absurdamente inferior e uma senslbl' lidade feminina. Em face a estes fenomenos, a psicologia analftica e capaz

ainda de manter sua teoria ao referir·se novame~te

a

fantasia dos opostos.

Aqui "anima" faz par com a sombra masculina. Quando

~

ego

d~

urn

h~.

mem mostra uma preponderancia de tra90s anfmicos classlcos, 0 mconscl·

ente e representado pela sombra ctonica masculina; quando 0 ego de u~

homem

e

feminino, sua contrassexualidade inconsciente deve ser masculi·

na. Algumas vezes Jung discute a homossexualidade masculina como uma

identifica~o com anima.c • Espirito da epoca. (N. T.)

(15)

(a) ... e essencialmente a supervalorizayao do objeto material e

e~terior,

que constela no interior uma figura espiritual e imortal

(naturalmen-te com 0 prop6sito de uma compensa~a-o e auto-regula~a-o) . . .

pois ... ha uma rela~lIo compensat6ria entre persona e anima.

CW 7, §§303-04

Assim como a persona e a imagem que 0 sujeito apresenta no

mun-do e que

e

vista pelo mundo, tambem a anima e a imagem do sujeito

na sua rela~ao com 0 inconsciel}te coletivo ... Tambem pode-se

di-zer: a anima

e

a face do sujeito vista pelo inconsciente coletivo ...

Se

0 ego adota 0 ponto de vista da anima, a adapta~ao

a

realidade

fiea severamente comprometida.

CW 7, §521

. . . 0 carater da anima pode ser deduzido do carater da persona. Tu.

do 0 que normalmente deveria estar na atitude exterior, mas esta

conspicuamente ausente, podera ser invariavelmente encontrado na atitude interior. Esta e uma regra fundamental ...

CW 6, §806

(b) No que se refere as qualidades hurnanas comuns, 0 carater da anima

pode ser deduzido do carater da pe[sona ... Mas no que se refere a qualidades individuais, nada pode ser deduzido ... 56 podemos ter

certeza de que, quando urn homem

e

identico

a

sua persona, suas

qualidades individuais estarao associadas

a

anima. Esta associa~ao

freqiientemente faz surgir em sonhos 0 simbolo da gravidez

psiqui-ea ... A crian~a que esta por nascer signifiea a individualidade que,

apesar de presente, ainda nao esta consciente.

CW 6, §806

Hoje em dia as no~Oes de "masculino" e "feminino" esta:o em disputa.

Esta disputa ajudou a diferenciar papeis sexuais dos papeis sociais, e mes-mo a diferenciar tipos de identidade sexual, isto e,se base ada em caracteris·

ticas sexuais primarias ou secundarias, manifestas ou geneticas, fisicas ou

psi·

quicas. Ficou dificil falar de anima como feminilidade inferior, ja que nlIo estamos mais seguros do que seja "feminilidade", que dira feminilidade "in-ferior". Mais que isto, a psicologia arqueUpica colocou em duvida a pr6.

pria n~o de ego.4 A identidade eg6ica na-o e uma coisa urnca, mas numa

psicologia politeista 0 "ego" reflete qualquer dos varios arquetipos e repre·

senta diversos mitologemas. Ele tanto pode ser influenciado por uma Deu· sa como por urn Deus ou Her6i, e tambem pode apresentar estilos "femini-nos" no comportamento sem que isto seja urn indicador de fraqueza eg6ica ou de uma incipiente perda de ego. 0 ego de urn homem pode exercer todas as fun~6es requeridas de urn ego sem que este precise ter Hercules ou Cristo como modelo. Nem capita-o, pai ou construtbr de cidades; em lugar disso des-locar-se no mundo como urn mho da Lua ou de Venus, ainda assim conser·

vando intactas as fun~es eg6icas tais como orienta~ao, mem6ria, associa~a-o

e propriocep~o. Voltaremos

a

rela~a-o ego/anima nos capitulos cinco e dez.

Porque a fantasia dos opostosa mantem a anima num tandem social

com a persona ou com a sombra e nurn tandem sexual com a masculinida-de, negligenciamos sua fenomenologia per se e assim encontramos dificul·

dade em compreende-la exceto em contraste com estas outras no~Oes

(mas-culinidade, sombra, animus, persona). Estamos sempre enearando a feno· menologia da anima de dentro de urna armadura ou do prato oposto de

urna balan~a. Nossas n~Oes de anima sao desenhadas eompensando alguma

outra coisa a que sempre ela esta Jigada. (Veja mais adiante 0 capitulo dez

sobre a Sizigia.) E, como as diferenyas entre masculinidade social e sexual

permanecem confundidas, e nossas idcHas sobre 0 ego endureceram-se em

cliches dogmaticos, a

definifiio

de anima tende a derivar-se de - e nao

dife-renciar-se suficientemente de - seus momentos hist6ricos e culturais.

Ain-da assim, a

fenomenologW

da anima existia antes e continua a existir inde·

pendentemente do enquadramento psicol6gico no qual ela tern sido coloca-da. Em outras palavras, anima nos coloca-da. a cada urn, urn senti do de almaindivi-dualizado, completamente separado de qualquer coisa que ela possa estar

compensando. Mas esta alma individualizada e meramente uma insinua~ao.

E exatamente esta latencia, esta gravidez no seu desconhecido, incl~ndeia

as compulsOes em dire~ao a ela. Porque ela carrega em seu ventre nosso

(16)

! ::

"

i

i

(a) ... nurn nivel inferior, a anima

e

a caricatura do Eros feminino ...

Eros e urn entrelayamento ... Eros e rel89[o ...

CW 13, §60

Ele lo sal] representa 0 principio feminino do Eros, 0 qual faz todas

as coisas se relacionarem entre si. .. ,

Sal,

como a alma ou cintila da

animo mundi

e ftlho do

spiritus vegetativus

da criayllo.

CW 14, §32~

Aparte da umidade lunar e da qualidade terrestre do sal, destacam-se

mais as propriedades de amargor e sabedoria. .. 0 sal, portanto,

e

atribuido

a

natureza feminina por ser ele 0 portador desta

alternati-va marcada pelo destino.

CW 14, §330

A confmnaylio de nossa interpretay[o de sal como Eros (isto

e,

ca-mo urna rela~o de sentimento) pode ser encontrada no fato do

amargor ser a origem das

cores . ..

CW 14, §333 ... a anima corresponde ao Eros maternal.

CW 9, ii, §2Q

... 0 homem sera foryado a desenvolver seu lade feminino, a abrir

seus olhos para a psi que e para Eros. Esta

e

uma tare fa que ele n[o

pode evitar, a menos que prefua rastejar atras da mulher como um

menino desesperado, adorando de longe, mas sempre correndo 0 ris·

co de ficar escondido atras dela.

CW 10, §259 (ef. §§255-58)

A anima e de indole er6tica e emocional ... Por basear-se na proje· ylio da pr6pria anima, costurna ser errado a maior parte do que os homens dizem a respeito da er6tica feminina, como tambem sobre a vida emotiva da mulher.

CW 17, §33S

2. ANIMA E EROS

Isto irnplica que, ao tentarmos expor urna ideia defmida de

ani-ma, devemos estar atentos a qualquer trayo descritivo que ela normal-mente carrega. Os prirneiros a serem questionados sao os trayos er6ti-cos.a Conteudos e sentirnentos er6ticos ficararn vinculados ao arque-tipo da anima - mas, sera que necessariamente pertencem a ele?

(17)

(a)

As palavras latin as

animus, espfrito, e anima, alma, tern

0

mesmo

significado do grego

anemos, vento.

A

outra palavra grega que desig·

na

0

vento,

pneuma, significa tam bern espirito. No g6tico encontra·

mos

0

mesmo terIno sob a forma de

us-anan, expirar, e no latim

anheiare, ofegar. No velho alto alema:o, spiritus sarictus traduzia·se

por

atum, respira9ao. Em arabe,

0

vento

e

rih e ruh e alma, espirito.

A palavra grega

psyche tern

urn

parentesco muito pr6xirno com

estes termos; esta ligada a

psychein, soprar, psychos, fresco, psy.

chros, frio, e physa, fole. Estas conexOes nos mostram claramente

que os nomes dados

a

alma no latim, no grego e no arabe esta:o

yin.

culados

it

ideia de ar em movimento, de "halito frio dos espfritos".

CW 8,

§664

Para Heraclito, a alma no seu n{vel mais elevado e fogosa e seca, por·

que

l/;ux:fJ

como tal e bastante semelhante a "halito frio"

-l/;Ux.ELV

significa respirar, soprar;

t/tUXpOs

e

MOS

significam frio, gelido,

funido.

CW

9,

i, §55

... a alma ... foi sensualmente visualizada como urn corpo-hilito.

CW 14, §748

(b)

...

urn outr~

fato a que ja fiz alusa:o, eo aspecto hist6rico da alma.

CW 7, §303

. . . 0

aspecto

historico das ... figuras de anima.

CW7,§299

Com esta anima, entao, mergulharnos direto no mundo arcaico.

CW 12, § 112

(cf.

CW 7, §§299.303

(c)

Se examinarmos seu conteudo ... encontraremos inumeras associa·

96es arcaicas e "hist6ricas" ... Eles

[anima

e animus] evidentemente

vivem e funcionam ... particularmente naquele substrato fllogeneti·

co a que chamei de inconsciente coletivo .. '. Eles trazem para a

nos-sa consciencia efemera urna vida psfquica desconhecida que pertence

ao passado remoto.

~

a mente de nossos ancestrais desconhecidos ...

CW 9,

i,

§518

32

Fenomenol6gica e lingilisticamente,

anima e psyches tern mais

a ver com ar,

0

ar vivo da mente como a base sagrada do poder gerador

(mais tarde, nossa

anima rationalis ou alma intelectual), com respira.

yao, como apontou Jung,a com orvalho e sereno, e ate com terra e mor·

te (a alma

p'o, anima telluris), do que com fogo e desejo.6 Esta

subs-tancia animica vaporosa, como a brurna que paira sobre pantanos, as

aves aqmiticas, os bambus e a brisa que agita os bambus, en contra pa·

ralelos em Bachofen ("hetaerisrn"*), no

Lexikon de Roscher ("ninfas"),

e em Emma Jung ("Naturwesen,,).7

Em

outros trabalhos

8

ja expus al·

gumas das tradicionais fenomenologias contrastantes de anima e eros,

de forma que aqui na:o

ha

necessidade de nos aprofundarmos muito.

A primeira e funida, vegetativa, receptiva, indireta, ambigua; sua

cons-cicncia e reflexiva e flui.

0 segundo e {gneo, falico, vivaz, direcionado,

esporadico e desvinculado, vertical como urna flecha, urna tocha, uma

escada.

'

Anima "imediatamente cerca·se de urn sentimento hist6rico

es-peciflco" (CW

10, §85).9

Ha urn sentido de hist6ria evocado especial.

mente pelo arquetipo da anima;b "Ela gosta de aparecer em vestes his·

t6ricas"

(CW

9, i,

§60),

e "tern urn relacionamento especial com

0

tem-po"

(CW

9, i,

§356).

Suas associa90es hist6ricas alcan9RfI1

0

passado

arcaico, ate mesmo filogenetico.

c

Embora

0

animus possa

vir

atraves

do pai e ser representado por uma corte senex de pais e, assim, mostrar

urn conservadorismo igualmente forte, e mesmo na "essencia mais pro·

funda" ser "tao historicamente orientado quanta a anima"

(CW 10,

§89), mesmo assim Jung faz

urn

contraste entre anima e animus em

termos de

urn

"sentido misti-:o de hist6ria". Enquanto a anima volta

para tras, animus esta "mais preocupado com

0

presente e

0

futuro"

(ibid.,

§86).

Esta

distin~o

pode ser extrapolada de modo pratico: ani·

rna nos puxa para a hist6ria, de forma que a briga com hist6ria -

his-t6ria de n6s mesmos enquanto casos, de nossos ancestrais, de nossa cui.

tura -

e

urn modo de cultivar a alma. Ocupar·se com hist6ria, e a pers·

pectiva hist6rica, reflete anima. Ocupar·se com

0

presente no cenario

politico, nas reformas sociais, na moda, e toda a futurologia e animus

- seja no homem ou na mulher. Anima e animus precisam urn do outro;

• Teoria de que a condiylro de concubinagem promlscua caracteriza toda a' sociedade primitiva. (N, T.)

(18)

(a) A antigUidade ja conhecia a escala er6tica das quatro mulheres: Chawwa (Eva), Helena (de Tr6ia), Maria, Sofia; uma sequencia

que se repete de maneira alusiva no

Fausto

de Goethe, ou seja,

na figura de

Gretchen,

enquanto personifica~a-o de uma rela~IlO

puramente instintiva (Eva); de

Helena,

enquanto figura da anima,

de Maria, enquanto personifica~llo de uma rela~a-o celestial, isto

e,

religiosa e crista:. e do Etern~Feminino (Sofia), enquanto expres·

sao da

SapientiD

alquirnica. Pela denomina~ao, deduz·se que se

trata de quatro estagios do eros heterossexual, ou seja, da ima· gem da anima e, consequentemente, de quatro estagios culturais

do Eros.

0

primeiro grau da Chawwa, Eva, Terra

e

apenas bio·

16gico, em que

a

mulher=mae nllo passa daquilo que pode ser

. fecundado.

0

segundo grau ainda diz respeito a

urn

Eros predo.

minantemente sexual, mas em nivel estetico e romantico, em que

a mulher ja possui certos valores individuais.

0

terceiro grau ele·

va 0 Eros ao respeito maximo e

a

dev~ao re ligi 0 sa, espirituali·

zando-o. Contrariamente a Chawwa, trata-se da matemidade es·

piritual.

0

quarto grau explicita algo que contraria as expecta·

tivas e ainda supera esse terceiro grau dificlumo de ser ultra pas·

sado:

e

a SapientilJ. . .. Este grau representa a espiritualiza~1io de

Helena, portanto, do pr6prio Eros.

CW 16, §361

(b)

"[Anima]

e

uma

furna~a suti! e imperceptive!."

CW

12, §394n105

34

pois animus pode tomar 0 passado relevante para 0 presente e 0 futu·

ro, enquanto anima dli profundidade e cultura

as

previsOes e opiniOes

vigentes. Sem os do is juntos, ou ficamos perdidos em escava~Oes arqueo·

16gicas de acadernicos refmamentos animicos ou cavalgamos a onda

do futuro, seguindo animus rumo

a

era espacial da fic~a-o cientifica e

da catastrofe polui~o/popula~llo.

Em contraste A profundidade hist6rica da anima, Eros e etema·

mente jovem, na-o possui hist6ria, chegando ate mesmo a acabar com ela ou a criar a sua pr6pria hist6ria, sua "hist6ria de amor". E enquan·

to anima retira·se em dire~o ao isolamento meditativo - 0 refugio da

alma - eros procura uniOes.

Mesmo quando Jung fala dos "quatro esta.gios do erotismo"a e correlaciona os quatro estagios da fenomenologia er6tica com os qua· tro niveis de anima (Eva, Helena, Maria, Sofia), as imagens femininas

roo sao 0 pr6prio eros mas os objetos do seu desejo

(pothos).

Urn irn·

pulso tern urna proje~a-o correspondente, urn objeto a ser alcanyado,

urn graal para conter seu sangue. Estes continentes podem ser represen· tados pelas imagens de anima que J ung descreve, e urna qualidade de eros pode ser relacionada a cad a urna delas, mas as figuras na-o sao eros. Elas nao sao as amantes. mas as amadas; sao reflexos do arnor. Elas stio os meios pelos quais eros po de ver·se. Quando nosso desejo esta espe· lhado numa alegre colegial ou numa irma de caridade, atraves da espe· cificidade da imagem animica podemos conhecer mais precisamente

a qualidade do nosso desejo. Mas 0 desejo nao

e

nem a colegial, nem

a freira. As irnagens stio retratos da alma por meio dos quais eros

e

atraf·

do ao campo psiquico e pode ser vividocomo urn evento psfquico.

Bachelard 10 associa anima com devaneio (em contraste com ani·

mus e com a atividade do sonhar); Corbin II com imagina~a-o; Ficino 12

com fantasia

(idolum)

e destino; Oaiansl3 com vida e morte; Porfirio 14

com urn espirito umido e "opacidade aerea".1S,b Estas fenomenologias

tradicionais da no~ao de alma, incluindo as extensas descri~Oes luna·

res da anima em Jung (CW 14, §§154.233), nllo possuem tra~os er6ti·

cos marcantes. Essas nO\Oes nllo identificam anima com eros nem atri·

buem 0 principio er6tico

a alma. Mais que isto, enquanto anima esta

classicamente relacionada com urna fun~o intemamente localizada

em profunda associa~llo com a vida humana e seu destino, eros

e

urn

daimon, externo, que se impOe

a

vida e ao destino. Amamos e deixa·

(19)

""',--mos de arnar, so""',--mos arrebatados e redimidos, ou amaldi~oados pela

a~ao do arnor, mas aquilo que e influenciado pelo arnor n[o

e

arnor mas

alma. Alma

e

0 alvo da flecha, 0 material combustivel do fogo, 0 labi·

rinto no qual ele dan~a. 0 que eu gostaria de enfatizar especialmente

e

esta no~o estrutural: anima e uma estrutura arquetipica da

conscien-cia.

Como tal, ela oferece urn modo de estar no mundo especificarnen· te estruturado, urn modo de se comportar, de perceber e de sentir que

da aos eventos 0 significado na-o do arnor mas da alma. Que mais po·

demos dizer sobre esta estrutura? Que caracteristicas a diferenciam, se nao sao er6ticas?

Anima

e,

interior (dai "fechada" e charnada "virginal" nas me·

taforas poeticas e religiosas da alma), devota, embora llibil, generosa e geradora, embora reservada (timida, envergonhada, retirada, pura, velada - estas ultimas qualidades sao apresentadas pelas ninfas virgens e Deusas como Maria ou ArtemiS), A est a interioridade pertence urn

movimento de aprofundamento descendente 16 (cavernas, profundezas,

tum bas) que na fenomenologia de Cora·Persefone a conecta com 0 rei·

no das trevas. "Animo nao era 0 nome comurn para a alma em vida,

s6 depois da morte".17 Ela carrega a nossa morte; a nossa morte esta

alojada na alma. Novarnente estas no~Oes estao muito distantes de qual·

quer ideia de anima como 0 principio er6tico, especialmente depois que

eros passou a significar - e nao somente com Freud - a libido, 0 im·

pulso de vida oposto a morte.

Esta consciencia

e

detenninada pelo humor, uma no~ao que tern

sido representada na fenomenologia mitol6gica por imagens de paisa· gens naturais (nuvens, ondas, aguas calmas). A consciencia animica fa·

vorece urn mimetismo protetor. uma

ligariio

a alguma coisa ou a alguem

que ela ecoa. Aqui vemos as ninfas da floresta que pertencem

as

lirvo-res, as aim as que pairarn sobre as aguas, que falam nas grutas e caver-nas, que cantam nas rochas enos remoinhos do mar - e, mais vivida-mente, os sucubos. Entender anima em tandens ja esta implicito na sua

fenomenologia. Assim, pensamos nela em noc;:{'les tais como a liga~a-o

com 0 corpo ou com 0 espirito, ou no misterio mae-fllha, no par

mas-culino-feminino, como compensa~ao da persona, no conluio com a

som-bra, ou como urn guia para 0 self.

Nestes pares, como no imaginario mitol6gico, anima e 0 parceiro

(20)

(a)

(b)

Mas como nos atrevemos a chamar este eIfo

:e

"anima"? Anima quer dizer alma e deveria designar algo movilhoso e imortal. Mas isto nA'o foi sempre assim. NA'o deveri.z:!.,.1S esquecer que es-te tipo de alma e urna concepya:o dogmati:a. cujo prop6sito e pinyar e capturar algo misteriosamente vivc e ativo. A palavra alema

Seele

esti intimamente relacionada, zcaves de sua forma g6tica

saiwalO,

com a palavra grega al6~,

qae

significa acelera· do, que muda de aspecto, cintilante,

algo

como urna borboleta

_ 1/tvxf1

em grego - que embriagadamente nscila de flor em flor e vive de meI-e amor.

~9,i,

§55

... a alma, esta coisa vislurnbrante, e6lica, ilwOria como urna

bor-boleta

(anima,1/Nx~).

~9,i,

§391

Hermes, originalmente um deus do vento, e seu corresponden· te egipcio Thot, que "faz as almas respirarem", sa-o os precurso· res do aspecto aereo do MercUrio alquimico. Os textos com fre· quencia utilizam os termos

pneuma

e spiritll.s no sentido concre-to original de "ar em movimenconcre-to" .... Ele

e

a .. , pedra suspen· sa pelo vento ...

"Alma" representa urn conceito mais dettdo do que "espi. rito" no sentido de ar ou

gas.

Como "corpo sutil" ou "sopra da alma" significa algo imaterial e mais fino que 0 ar. Sua caracte· ristiea essencial e animar e ser animado ... Mercurio

e

frequen-temente chamado de "anima" ...

CW 13, §§ 261-62

... a anima

iliastri

pode jorrar do coraya-o quando lhe falta 0 "ar"; ou seja, se os tratamentos psiquicos nao do ministrados, a mar· te oeorre prematuramente.

CW 13, §201

turalml1nte dado. Ela e 0 fator psfquico na natureza, urna ideia fonnu· lada nC! seculo passado como "animismo". Sentimos este momento de reflex1itl nas emoyOes contnirias que os fenomenos da anima constelam:

fascina~a:o mais perigo, pavor mais desejo, submissA'o a ela como des-tino mitis suspeita, a profunda consciencia de que este caminho guar· da a minha vida e a minha morte. Sem estas emoyOes que agitam a al-ma, nllO have ria significado nos lugares naturais e nas questOes huma-nas ao~ quais ela esta ligada. Mas vida, destino e morte nao podem se tomar "conscientes", de fonna que com ela constela·se a consciencia da noilSa inconsciencia fundamental. Em outras palavras, a conscien-cia

dc_ta

estrutura arquetfpica nunca esU distante da inconsciencia. Seu villculo primario e com 0 estado da natureza, com as coisas que simple~ente sa-o - vida, destin~, morte - e que podem apenas ser re·

fletida~ mas nunca separadas de sua impenetnivel opacidade. Anima fica pelto deste terreno da mente inconsciente natural.

lima consciencia que nao se eleva mas fica presa, que paira e flu·

tua sollre 0 campo dos eventos naturais, tern sua imagem tambem na borbokla.a A fascina~ao das mariposas pela chama h3 tempos repre-senta ;I agitada ligayao da alma com eros, e a borboleta sugando seu

ali-mento das flores do sentiali-mento tambem representa a relaya:o eros-psi-que.

A

borboleta indica novamente 0 ar como 0 elemento da psique. Estar till ar, se dar ares de, borboletear, ter cabe~a de vento, esbaforir-se ou muJar sua atmosfera - tudo isto pertence :l. anima.b Sonhar com voos T;lsantes, especialmente sobre a mobl1ia ou as pessoas numa sala (fechallo, interior, dentro). podem ser distinguidos dos veos do puer, e nao ~ao necessariamente perigosos sinais de "estar perdendo 0 chao", de inn:lyao, de estar fora de si. Encaro estes veos como parte da

feno-menoh\~ia da anima e 0 ar como urn legitim~ elemento para certas con-diyOes Ja alma. V60s rasantes em sonhos de inlancia parecem-me urn prenu",io de consciencia da anima.

l \)mo a borboleta, a consciencia animica move-se por fases, car· regan d.' urn processo, uma hist6ria.

E

ova, larva, casulo, asa - nlio ape-nas su,essivamente mas ao mesmo tempo. Nossa abordagem intensa-mente evolutiva aos eventos e as imagens faz com que enxerguemos primeit\) 0 desenvolvimento, esquecendo que no campo do imaginal todos ,IS processos que pertencem a uma imagem sao todo a tempo

(21)

(a)

A prostituta

(meretrix) e uma figura bastante conhecida na

al-quimia. Ela caracteriZa a substancia arcana em seu estado inicial,

"ca6tico", maternal_ .. "Venus, aquela nobre prostituta .. -"

CW 14, §415

(b) .

Tudo que a anima toea torna-se numinoso - incondicional,

pe-rigoso, tabu, mligico.

CW 9,

i,

§59

(c)

_ . _a anima e bipolar e pode, portanto, aparecer positiva num

mo-mento e negativa em outro; ora jovem, ora velha; ora mlle, ora

virgem; ora urna fada boa, ora uma bruxa; ora uma santa, ora uma

prostituta.

CW 9,

i,

§356

(d)

... a

peregrina~ao

de Michael Maier pelos sete Ostia Nili, que

sig-nificam os sete planetas __ . descreve a ascensa:o a urn mundo

de her6is e de deuses, a

inicia~lIo

em urn misterio de Venus. - .

... Nosso autor foi conduzido primeiramente pel" anima-sibila

a realizar a viagem pelas casas planetmas ..

-CW 14, §297s)

coincidencia de processos. Todas as fases ao mesmo tempo: sem

prirnei-ro e ultimo, melhor e pior, pprirnei-rogressllo e regressa:o. Em vez disso, a

his-t6ria da alma como urna serie de imagens superpostas. A eshis-t6ria da

in-tera~ao

destas imagens seria transfonnada pela Mae em crescimento,

pela Crianya em futurismo, e pelo Her6i em urn epico evolucionlirio

de conquistas. Porque nossa conscrencia e escrava destas estruturas

ar-quetipicas, somos incapazes de vislumbrar urna fenomenologia de fases

exceto como desenvolvimento, como se a borboleta fosse urn

peregri-no moral_ Mas a escolha de uma imagem da natureza nllo impliea a

fa-Iacia naturalist a com

rela~o

a

sua

interpreta~lIo.

Psyche como

borbo-leta nao exige que encaremos a alma de uma 6tiea desenvolvimentista.

Apesar destas

distin~Oes

entre eros e psique e da caracterizayao

da psi que separada de eros, ainda pennanecem, e claro, as dam as do

prazer com seus chamados sensuais em nossos sonhos. Elas pare

cern

er6ticas em si mesmas, dando assim base fenomenol6gica

a

noyao da

anima como eros.

Acredito que

e

importante ressaltar aqui que nem tudo

0

que e

feminino e necessariamente anima e que nem tudo

0

que e anima e

ne-cessariamente venusiano. A fenomenologia de Venus nos sonhos e

fan-tasias torna-se enobrecida pela palavra "alma",

0

que por urn lado

so-brecarrega a faceta afrodisiaca da psi que e, por outro, desvaloriza

Ve-nus no que the e de direito. Uma prostituta num sonho e uma

prosti-tuta, que pode assumir urn significado psicol6gico mais profundo (cf.

a "prostituta sagrada"

[meretrix] na alquirnia)a como uma imagem

ar-quetipica em si sem precisar ser anima, minha alma amante,

psicopom-po para

0

self, isto e, a menos que ela seja

numinosab

e traga todas as

fascinantes perplexidades bipolares at raves das quais podemos

reconhe-cer

0

arquetipo da animac - velha e nova, fnigil e forte, cultura e

na-tureza, inocente e

viJ,

intimo e oculto. Somos injustos com a

comple-xidade da anima ao chamar qualquer mulher que passeie em nossos

so-nhos de uma "imagem de anima"; e negligenciamos Afrodite como uma

es-trutura autentica de consciencia ao psicologiza-Ia numa "figura de anima".

Encarar

0

reino arquetipico de Afrodite e seus padrOes de

com-portamento seriamente implica toma-Ios

como tal,

sem mistura-Ios, nem

infla-Ios, como

0

significado de alma. As sedutoras figuras venusianas

lan~am-me

no reino de Venus como Ulisses a Calipso e a Circe, au

co-mo as viagens de Michael Maier nas casas planetarias.

d

Mas nem na

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